quarta-feira, 10 de março de 2010

O Terror vem do Espaço - Anatomia da Cor que caiu do Céu


A mitologia criada por Lovecraft está repleta de criaturas alienígenas: Os Mi-Go, os Yithians, os Elder Things e os Pólipos-Voadores são apenas alguns desses estranhos seres provenientes de esferas distantes e dimensões desconhecidas.

De todas as raças alienígenas, a mais enigmática talvez seja a das Cores do Espaço.

Não se sabe ao certo de onde vêm esses seres bizarros, mas aquelas que entraram em contato com humanos ao longo das eras, vieram do espaço profundo e chegaram à Terra na forma de meteoros que despencaram na superfície.


Estes seres incorpóreos se manifestam como cores de espectro desconhecido, invisíveis sob certas circunstâncias, mas podendo adotar espectros absolutamente alienígenas para a percepção sensorial humana. Em alguns casos, as cores são equivocadamente compreendidas como uma forma de vida gasosa, mas não é esse o caso. Elas são entidades compostas de luminosidade própria que se movem voando o flutuando como uma entidade consciente.

A visão de uma cor se manifestando dessa forma pode ser uma experiência desconcertante.

O ciclo de vida destes seres no espaço é desconhecido. Outras raças alienígenas conhecem as Cores do Espaço e mantém com elas relações que vão desde a reverência, como ocorre entre os Antigos (Elder Things) até temor no caso dos Mi-Go, que evitam qualquer contato com as Cores.

As Cores encontradas na Terra adentraram o planeta através de meteoritos que à primeira vista parecem normais. A criatura neste estágio se mantém em um estado embrionário ocupando o interior oco de uma esfera rochosa de aproximadamente três polegadas de diâmetro. Quando o meteorito entra a atmosfera terrestre e se choca com a superfície, a esfera é rompida liberando a cor em estado de larva. A jovem cor busca então estabelecer um ninho. Elas preferem depósitos subterrâneos de água de onde retiram os nutrientes necessários para seu desenvolvimento. As cores são capazes de escavar o solo em busca de um leito rochoso profundo ou buscar abrigo em poços previamente escavados.

Uma vez instalada, a larva começa a exercer uma sutil influência sobre as formas de vida, alimentando-se inicialmente de microrganismos no solo, mas avançando rapidamente para a vegetação e em seguida pequenos animais.

O primeiro sinal da atividade de uma Cor é a drástica mudança no ecosistema ao seu redor. A vegetação experimenta um acelerado processo de crescimento. Árvores se tornam frondosas, gerando enorme quantidade de frutos de proporções anormais. Esse crescimento, no entanto, se mostra pouco saudável. Os frutos das árvores tocadas pela Cor, são amargos e impróprios para o consumo. Em alguns casos apresentam uma coloração cinzenta esmaecida e odor repulsivo.

Durante a noite uma tênue luminosidade fosforescente pode ser percebida na vegetação corrompida.

A Cor a seguir começa a se infiltrar nos seres vivos e drenar sua energia vital. Os efeitos no meio ambiente são assustadores. Insetos começam a surgir em grande quantidade mas com alterações acentuadas, alguns nascem albinos ou crescem além do normal. Pequenos animais também manifestam horríveis deformidades: nascendo totalmente cegos, acéfalos, com patas adicionais ou de menos ou com órgãos fora do corpo. O resultado é semelhante ao de animais expostos a forte dosagem de radiação.

É possível que o consumo dos vegetais corrompidos ou da água por parte dos animais seja o motivo dessas mutações.


Após alguns meses, a Cor já estará apta a se alimentar diretamente de animais. Ao se desenvolver para o estágio seguinte a cor gradualmente deixa o seu ninho e começa a se alimentar dos animais que ainda estão vivos.

Não se sabe exatamente como ela realiza a sua caça, no entanto é possível que a cor exerça algum tipo de comando sobre animais menores, atraíndo-os para perto de sua toca. O covil habitado pela cor apresenta dezenas de carcaças de animais que parecem ter sido queimadas de dentro para fora.

Fontes luminosas tendem a incomodar as cores que preferem caçar durante a noite. Nas horas do dia elas se mantém protegidas em seus ninhos.

Aos poucos a Cor vai se tornando confiante e se afasta cada vez mais de seu ninho, buscando animais cada vez maiores. Eventualmente ela buscará seres humanos de quem poderá se alimentar.

Um dos aspectos mais curiosos a respeito da influência que as cores exercem sobre os seres humanos é sua capacidade de lentamente minar a vontade dos indivíduos. Pessoas sob a influência de uma dessas criaturas sentem-se virtualmente impotentes, melancólicas, quase como se definhassem diante de uma força invisível que drena sua força de vontade. Isso explica porque pessoas vivendo em regiões contaminadas pela presença da Cor do Espaço simplesmente não vão embora.

Vítimas de cores do espaço acabam da mesma forma que os animais drenados. Horríveis manchas de pele e descamação são comuns. A pele de um indivíduo em estágio terminal aparenta estar coberta de uma fuligem fina como grafite, que na verdade é a própria camada cutânea destruída. Órgãos internos apresentam falência completa e o corpo irradia altas temperaturas que literalmente o cozinham de dentro para fora. Mesmo o tecido sanguíneo se torna denso com uma concistência que lembra xarope de groselha.

Em casos extremos os olhos fervem e as pleuras pulmonares se desintegram.

Cadáveres de indivíduos mortos pela ação de cores do espaço vem intrigando médicos forenses desde que a medicina evoluiu o bastante para permitir esse tipo de análise.

Após consumir suficiente energia de diferentes fontes, a cor está pronta para avançar a um próximo estágio de sua existência. A Cor sofre uma nova mutação que lhe permite ascender ao espaço em um efeito dramático e enigmático. Ao que tudo indica, a Cor após metabolizar suficiente energia, ou após um determinado tempo realiza essa mutação com o objetivo de abandonar o planeta por ela ocupado, como a lagarta que sofre a metarmofose e ganha a capacidade de voar como uma borboleta.

Nesse contexto, as cores poderiam se valer conscientemente de mundos habitados (onde encontram estoques de força vital do qual podem se alimentar) e propositalmente lançar suas crias nestes mesmos mundos com propósito reprodutivo. Isso denota uma inteligência inata ou instinto de perpetuação da espécie bastante aprimorados.

O mais notório incidente envolvendo a aparição de uma Cor do Espaço, se deu em 1882, nos arredores de Deans Corners, estado de Massachusetts. A cor em questão aniquilou uma fazenda, matando animais e humanos e desaparecendo em seguida. O local foi coberto pelas águas do reservatório que abastece a cidade próxima de Arkham.

8 comentários:

  1. Credo.
    Tomara que não tenha que ver uma coisa dessas numa sessão de jogo.

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  2. Esse (The colour out of space, o A cor que caiu do céu) é um dos contos mais belos e tenebrosos de Lovecraft. Ele é um dos poucos, se não o único que faz um terror que ralmente dá medo!

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  3. Fantástico!
    Sem dúvida The Colour out of Space é meu conto preferido, esse alien é uma das mais bizarras criações de Lovecraft.

    Parabéns pelo blog!

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  4. Muito bom artigo, da noções muito boas para um jogo ou só a interesse informativo...
    Ótimo blog!

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  5. Foi o primeiro conto lovecraftiano que li. Me chamou a atenção pelo título. Confesso que à época, não entendi muito bem o propósito daquilo tudo.

    Hoje entendo o que eu estava "encarando", hehe. Até deveria relê-lo novamente.

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  6. Corrijam-me caso esteja eu errado; a obra cinematográfica "Seres Rastejantes", baseia-se nos escritos de "A Cor que Caiu do Céu".

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  7. Quando já se pensou ter lido de tudo, lá vem mais aberração. Eu tinha certeza que a Dilma era uma cor... KKK Agora, as belas luminosidades das galáxias são alienígenas chupadores. kkkk William Folião.

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