sábado, 2 de junho de 2012

Investigando os Mythos mais obscuros: Nyogtha, a Coisa que não deveria existir


Vamos seguir em frente apresentando as criaturas do Mythos não muito conhecidas. Saíndo do óbvio e mostrando que o universo dos Mythos não se resume apenas a Cthulhu, Nyarlathotep, Yog-Sothoth e outras entidades com as quais estamos bem familiarizados.

Há outras coisas habitando os recessos da realidade, coisas sobre as quais pouco se sabe e pouco se ouviu falar. Esses são os horrores investigados nessa série de artigos.

Nesse artigo apresentamos o Grande Antigo Nyogtha, uma criação do escritor norte-americano Henry Kutner. A entidade fez sua primeira aparição no conto "The Salem Horror" escrito em 1937.
Conhecida entre os círculos de cultuadores como "A Coisa que não deveria existir" (The Thing that should not be), Nyogtha é um dos Grandes Antigos presos na Terra e que aguarda o alinhamento correto de estrelas que o libertará de seu confinamento ancestral.

Há rumores que Nyoghta possa ser uma cria de Tsathoggua, de Ubbo-Sathla ou ainda que tenha sido gerado por essas duas entidades. Existem também teorias que ligam Nyogtha a Abboth, um avatar superior de Nyarlathotep. Não há, entretanto, nenhum tomo ou tratado conhecido versando à respeito da real origem desta entidade obscura.

Nyogtha habita as profundezas da Terra, vagando por túneis subterrâneos e recessos escuros onde nenhuma luz chega. Em algumas lendas é dito que sua morada mais frequente (e atual prisão) se localiza nas Cavernas de Yoth, um complexo de túneis abaixo do reino de K'n'yan. Se isso é verdade, Nyogtha é uma espécie de guardião desse antigo complexo de câmaras construído pelo Povo Serpente. Há boatos que o povo serpente habitou essas mesmas cavernas logo após ser expulso da Valusia e que deixou para trás artefatos e relíquias místicas de grande poder. Verdade ou mentira, muitos feiticeiros ao longo da história empreenderam buscas nesses labirintos tendo a  maioria deles jamais retornado.

Venerado por cultistas e feiticeiros, Nyogtha é uma divindade que compartilha com seus seguidores conhecimento místico e poderosas magias. A criatura possui características vampíricas, alimentando-se de sangue e da energia vital de seres vivos. Sabe-se da existência de mais de um cabal de bruxos devotados a servir Nyogtha e oferecer a Ele sacrifícios em troca de sua sabedoria profana.   

De fato, uma notória cabala de bruxas servindo a Nyogtha existiu na cidade de Salem nos tempos coloniais. É possível que este culto tenha sido o responsável por criar a histeria que desencadeou a caça às bruxas que assolou o povoado no século XVII. Outro culto devotado a Nyogtha controlado com mão de ferro pela cruel Família Bishop, operou por gerações na Escócia até meados do século XVIII quando suas atividades foram expostas forçando os sobreviventes a migrar para o novo mundo e se instalar na cidade de Nova York. A cabala continuou agindo nas sombras e provavelmente ainda está ativa promovendo sequestros, sacrifícios de sangue e caos em troca de conhecimento arcano.

Além de ser procurado por humanos, Nyogtha também é cultuado por algumas tribos de ghouls. Nagoob, o auto-proclamado "Pai dos Ghouls" é tido como o sacerdote máximo desse culto ativo em várias partes do mundo. Os ghouls que servem a Nyogtha detém conhecimento arcano acumulado ao longo de séculos de adoração e supostamente mantém esse conhecimento praticando endo-canibalismo. Eles também acreditam que se alimentar da carne de humanos que conhecem o Mythos é uma forma de aumentar seu próprio conhecimento. Vários feiticeiros e investigadores acabaram vítimas desse tenebroso secto. Veneza é um dos seus centros de poder, uma cidade disputada por necromantes e ghouls há séculos.   

Nyogtha pode ser invocado fisicamente através de passagens e fossos profundos consagrados com símbolos profanos desenhados com sangue ao redor de sua borda. Um sacrifício deve ser lançado na escuridão para que o Grande Antigo atenda ao chamado emergindo das profundezas insondáveis em sua horrenda glória. Na antiguidade do mundo, esses fossos eram conhecidos como locais de adoração, protegidos por feiticeiros, bruxos e shamans de diferentes culturas. Tais recessos existem em Massachusetts (nos arredores do vilarejo de Salem), em ruínas no deserto da Síria, na Romênia (sob um castelo na Transilvânia), na Nova Zelândia, no Platô de Leng e sem dúvida em muitos outros lugares ainda esperando serem descobertos.

Uma teoria recorrente à respeito de Nyogtha menciona uma ligação da "Coisa que não deveria existir" com a Raça Ancestral (Elder Things). Supostamente em algum momento de seu domínio milênios no passado, a raça Ancestral teria capturado Nyogtha e o submetido a uma espécie de prisão mística. Essa prisão conhecida como Elder Pharos teria sido criada para aprisionar outros inimigos como o próprio Grande Cthulhu, mas teria sido empregada antes em uma entidade desconhecida (para alguns, um Deus Exterior) que permanece prisioneiro abaixo da cidade construída na Antártida. Essa ação teria provocado uma drástica alteração no polo magnético do planeta e consequentemente a Era do Gelo. 

Se essa narrativa é verdadeira, ela não explica como Nyogtha pode ser invocado e surgir em outros lugares do mundo. É possível contudo que o Elder Pharos com o decorrer de milênios tenha enfraquecido, possibilitando a Nyogtha escapar brevemente quando invocado. Curiosamente, Nyogtha é relativamente fácil de ser repelido. O uso de um ankh consagrado, do cântico em sânscrito Vach-Viraj ou uma aplicação do mítico Elixir Tikkoun podem ser usados para forçar Nyogtha de volta a escuridão de suas cavernas. Uma vez que todos esses três itens tem relação com a vida e pureza, é provável que outros itens ou cânticos semelhantes tenham o mesmo efeito.

Nyogtha é descrito como uma enorme bolha de escuridão viva amorfa que se desloca lançando tentáculos responsáveis por arrastar sua massa. Apesar de seu tamanho colossal ele é capaz de se mover com rapidez fluida desconcertante e de moldar seu corpo conforme as necessidades de espaço.

A criatura possui uma espécie de membrana gelatinosa que funciona como uma epiderme transparente, responsável por protegê-la de atrito e choques. Essa membrana guarda desconcertante semelhança com a epiderme reptiliana chegando a exalar um odor distinto similar a de gaiola ou jaula de répteis. A membrana é extremamente resistente, sendo capaz de suportar projéteis de baixo-médio impacto, fogo, eletricidade e ácido. Ainda que rompida a película se fecha rapidamente com uma perda mínima da substância escura em seu interior. A natureza dessa substância é razão de conjecturas no universo do Mythos.

Nyogtha se alimenta de sangue e fluídos corpóreos, quando invocado ele espera receber sacrifícios. Se estes lhe forem negados a ira do Grande Antigo pode se voltar contra quem lhe contatou não importando se estes forem membros de sua congregação ou não. Para atacar, Nyogtha lança seus tentáculos à distância como um longo chicote tentando agarrar suas presas. Esses tentáculos produzem uma espécie de resina aderente que restringe os movimentos da vítima enquanto ela é arrastada para a massa principal. Uma vez diante do Grande Antigo, a presa é esmagada através de constricção e os fluidos absorvidos por pequenos poros. O que resta do cadáver é um saco de pele e ossos ressecados descartado após o uso.

Incapaz de se comunicar por meios convencionais, Nyogtha utiliza uma espécie de telepatia que permite implantar memórias e instruções na mente de seus seguidores. Obviamente esse tipo de contato com uma entidade absolutamente alienígena resulta em graves lesões cerebrais e loucura. Os candidatos a aprender magias com Nyogtha ou receber suas bençãos devem estar dispostos a encarar um grave perigo à sua sanidade. Não obstante, muitos feiticeiros progrediram enormemente nos tortuosos caminhos da magia negra sendo instruídos por essa abominação.

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Uma entidade igualmente obscura: Baoht Z'uqqa-Mogg

http://mundotentacular.blogspot.com.br/2012/04/investigando-os-mythos-mais-obscuros.html

4 comentários:

  1. Muito bom o artigo! Acompanho seu blog desde o inicio, porém nunca postei, parabéns! Ler um dos seus artigos ao som de Requiem for a Dream me leva diretamente ao encontro dos horrores ancestrais. Parabéns.

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  2. Valeu Toleman. A trilha sonora de Requiem realmente é uma ótima pedida para combinar com os Antigos.

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  3. Otimo artigo, mas fiquei com uma dúvida no ar.
    Em Nas Montanhas da Loucura, o narrador descreve o Shoggoth que eles encontram nas profundezas também como "A coisa que não deveria existir" Há alguma relação dos Shoggoths com esse Grande Antigo? Será que ele é um ancestral mais poderoso do Shoggoth, e que os Antigos tiraram dele as informações para criarem os Shoggoths?

    Abraço! parabéns pelo blog.

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