quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Mesa Tentacular | "Here be Dragons" no Dungeon Carioca mestrado pelo Keeper Thiago Queiroz

Domingo passado tivemos a quarta edição do encontro de RPG Dungeon Carioca na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.

O Dungeon Carioca já se converteu em uma excelente opção para juntar grupos, rolar dados e congregar veteranos e iniciantes em busca de um jogo amistoso do nosso querido hobby. Por falar nisso, cada vez mais gente tem aparececido no encontro que cresce a olhos vistos.

Infelizmente eu não pude participar dessa edição por estar viajando, mas nem por isso o bom e velho Call of Cthulhu deixou de marcar presença e atrair jogadores ansiosos por enfrentar as forças tenebrosas do Mythos. Coube ao nosso colega Thiago Queiroz fazer a sanidade rolar ladeira abaixo, e com estilo...

Ele mestrou um cenário de Cthulhu Dark Ages, ambientação que leva o horror das entidades ancestrais para a Idade das Trevas, no longinquo ano 1000 da Era Cristã.

O Thiago fez a gentileza de escrever um relato de como foi a experiência do jogo e eu complementei com algumas fotos tiradas na ocasião.

À propósito, o tópico "Mesa Tentacular" está aberto para os keepers que desejam contar como foram seus jogos e deixar um registro de suas mesas aqui no Mundo Tentacular.

Abaixo o relato da aventura. Pena que não deu para participar dela, mas sempre haverão outras oportunidades...

Para um Keeper de primeira viagem, acho que não me saí mal!

Eu narrei uma aventura disponível no site http://home.kpn.nl/gesbe000/, chamada "Here Be Dragons". É um cenário para iniciantes um tanto quanto curto. Fui preparado para o pior, da parte dos jogadores e da minha! Caso não sentisse confiança, ou achasse que não estava cativando os jogadores, a aventura teria um final mais abrupto. Porém, o sistema facilita MUITO! Com alguma inspiração do bom e velho Lovecraft e bons pitacos de Ravenloft, é possível imaginar e levar os jogadores a imaginarem um lugar bem obscuro e um tanto quanto perturbador! Resolvi tomar meu plano B, inseri um "side plot", que na verdade, aconteceu antes da aventura original, e que preparou o terreno pro horror que se desenrolaria!

Os aventureiros sob a liderança do xerife local, são enviados ao pequeno vilarejo de Clottone para verificar o porque do atraso no envio do pagamento de impostos e aluguel das terras para o Lorde local. Chegando lá, descobrem que a cidade está sob a névoa do medo. Três crianças de famílias locais sumiram enquanto brincavam perto de um poço, os aldeões apavorados, e sem uma guarda, organizaram uma pequena milicia para tentar proteger os limites do vilarejo. Com isso, não tinham levado o dinheiro e contribuições que o Lorde ansiava. Porém tal milícia era inefetiva, afinal os moradores estavam apavorados com os sons que vinham do bosque próximo da sua cidade!

Nossos heróis tomaram coragem e decidiram verificar o que estava acontecenmdo, após descobrirem rastros que pareciam ser de lobos, só que, muito maiores, próximo ao poço apontando diretamente para o bosque, seguiram a trilha até o corpo destroçado de uma jovem menina. Ainda tentando se refazer da cena grotesca, começaram a ouvir sons que poderiam apenas serem descritos como "latidos saídos diretamente do inferno". Apesar de aterrorizados, decidiram seguir em frente e descobrir qual criatura infernal havia feito aquilo com a pobre criança.

Avançaram mais para o interior do bosque descobriram uma pequena gruta: "Servos do demônio!" exclamou o monge ao se deparar com quatro criaturas de forma grotesca, cabeças como a de cachorros, mas corpos lembrando o de homens, se alimentando vorazmente dos restos de sabe-se-lá-o-que havia dentro da gruta que usavam como covil. Após uma batalha feroz, onde um de nossos heróis quase sucumbiu a força dos demônios, finalmente eles triunfaram!

 Infelizmente, devido aos ferimentos de seu amigos, o grupo se viu obrigado a fazer acampamento naquele lugar ermo. Afinal, já anoitecia, e a volta para o vilarejo era perigosa já que com um ferido, seu passo seria muito reduzido e seriam alvos fáceis para quaisquer criaturas rondando durante a noite.

A noite proporcionou ao aventureiro ferido muito mais que o descanso dos justos! Sonhos com uma criatura saída dos piores pesadelos do ser humano, algo que ele poderia apenas descrever como um DRAGÃO. No amanhecer do dia seguinte, o herói acordou a todos com um grito de horror, a imagem que estava em sua cabeça o afetarou profundamente.

Ansioso por deixar aquele lugar amaldiçoado, o grupo decide juntar forças e tentar retornar para o povoado, afinal, já haviam livrado o lugar de um grande mal. Mas ao chegar, perceberam que aquele seria um longo dia. Surpreendidos por uma confusão no centro da cidade causada pela mulher de um fazendeiro que gritava, esperneava, e falava sobre um dragão que habitava o bosque. Segundo ela, os moradores do vilarejo deveriam ajuda-la enfrentar essa ameaça.

Imediatamente nosso amigo ferido se juntos a ela gritando sobre a tal criatura vista em seu sonho. O pânico se instalou nos corações de todos! Subitamente os sinos da abadia do Priorato se puseram a tocar e ambos, o aventureiro e a mulher se acalmaram. Após tranquilizar a multidão e levar a mulher para um local seguro, o grupo decidiu fazer uma pesquisa na pequena biblioteca do priorado. Lá descobrem uma pista. Um texto escrito em uma língua antiga, num pedaço de papel ainda mais velho, e trechos do diário de um legionário Romano, datando de séculos antes, relatando uma terrível batalha contra os Druidas que habitavam aquele lugar e sobre um dragão que atacava ambos os lados.

Seguindo o conselho de um dos monges, eles partiram em busca de uma velha curandeira que vivia próximo ao vilarejo, já que esta poderia traduzir as palavras contidas no manuscrito antigo. Após conseguirem convencer a mulher de que suas intenções eram boas e não pretendiam causar nenhum mal a ela, a curandeira revelou aos aventureiros a história por trás do vilarejo de Clottone.

Alvo da disputa entre Druidas e Romanos, várias batalhas foram travadas naquele local, um lado tentando expulsar o outro. Próximos da derrota, os druidas recorreram a um último recurso: invocaram uma criatura terrível, que não deveria existir fora dos pesadelos dos homens.

Porém, eles não tinham o poder para controlar sua fúria! Em um ato de desespero, sacrificaram seu mais alto sacerdote e prenderam a criatura em um local sagrado na parte mais escura do bosque. Os Romanos terminaram por expulsar os habitantes restantes, e a criatura foi esquecida por séculos. A mulher também lhes contou que o manuscrito ocultava um poderoso feitiço usado para prender a criatura, feitiço que agora estava enfraquecendo, o que permitia à criatura influenciar as pessoas e animais próximos a ela. Sabendo disso, ela aceitou ensinar como realizar o feitiço e prender o dragão uma vez mais.

Infelizmente neste momento, tivemos que terminar a sessão de jogo, já que os jogadores tinham que ir embora, afinal, alguns moravam bem longe! Ficamos de concluir a estória em uma próxima oportunidade.

Aqui estão fotos da mesa:


 
 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

"Todos à bordo"! - Horror no Orient Express está de volta


 
Após muita especulação, a Chaosium decidiu juntar-se no fenômeno crowdfunding e lançar o Kickstarter para o relançamento de sua épica campanha de Call of Cthulhu, "Horror on Orient Express" uma vez mais no formato de caixa.

Horror on the Orient Express foi a última caixa lançada pela Chaosium em 1991 e parece apropriado que seja a primeira lançada no século XXI. O objetivo é levantar US$ 20.000 e há muitos níveis de recompensa para quem participar da empreitada.

A Chaosium promete que o lançamento será uma "re-imaginação" da campanha, em vez de uma reedição idêntica a original. O objetivo é fazer dela uma "Edição Definitiva", incluindo uma lista expandida de NPCs, um novo posfácio dos autores, capas de cartolina melhoradas, arte adicional, mapas renovados e Handouts em qualidade superior - incluindo uma caixa de fósforos (semelhante à incluída na primeira edição de Máscaras de Nyarlathotep).

Caso o valor fixado seja ultrapassado, outros itens serão adicionados como o menu do restaurante de bordo, porta copos e mais.

A editora irá se inspirar no design da edição italiana de HotOE.

Horror on the Orient Express

Uma enigmática manchete no London Times é o ponto de partida para a campanha. Três homens, todos identificados como o mesmo indivíduo, são encontrados mortos no mesmo quarto do Hotel Chelsea Arms. Todos foram assassinados da mesma maneira, com uma facada no coração.

Em seguida, a casa de um amigo é destruída em um incêndio, deixando-o horrivelmente queimado. Um estranho chamado, um arrepiante encontro, e uma jornada de mil milhas tem início a bordo do legendário trem que levará os investigadores rumo ao oriente.

Horror on the Orient Express é uma enorme campanha de the Call of Cthulhu. Tendo início na Londres de 1920, os investigadores viajam a partir de Paris até a exótica cidade de Constantinopla. A campanha leva os jogadores através de quatro trechos da jornada cada um com seu próprio livro: Através dos Alpes,Itália e Leste Europeu, Constantinople e o Retorno, e Estranhos no Trem. Faça parte dessa aventura épica como mestre ou como um investigador, de qualquer forma você estará participando de uma aventura inesquecível!

O conteúdo da caixa original

*   *   *

Essa é uma oportunidade de ouro para mestres e jogadores conhecerem uma das mais icônicas campanhas não apenas de Call of Cthulhu, mas da história dos RPG.

HotOE é na minha opinião a melhor campanha lançada para Call of Cthulhu, uma aventura cheia de detalhes, bem escrita e com uma pesquisa profunda. Não por acaso, ela foi considerada na época a mais luxuosa das caixas de RPG.

Tenho ótimas memórias de quando joguei e de quando narrei essa campanha. É de fato uma experiência inesquecível!

Eu achei interessante a maneira como a Chaosium criou esse Kickstart oferecendo "goodies" para quem participar da promoção. Eu fiz o pedido dentro da faixa de US$ 90,00 que me dá direito a pacote First-Class (Primeira Classe) que inclui uma cópia do produto final, uma bolsa de viagem, quatro tickets personalizados de viagem, uma coleção de dados, um pacote de Handouts extra para jogadores e um Keeper's Screen personalizado para a Campanha. Além de ter o nome na lista dos que contribuíram para o fundraiser.

Para quem estiver interessado, aqui está o link da campanha:

http://www.kickstarter.com/projects/448333182/horror-on-the-orient-express-a-chaosium-publicatio

sábado, 25 de agosto de 2012

A Expedição Final - O Dramático relato da expedição Terra Nova e o fim de Robert Falcon Scott


Scott desejava utilizar o Discovery novamente em uma segunda expedição, mas o almirantado havia vendido o navio para a Hudson's Bay Company alguns anos antes, e eles se recusaram a desfazer o negócio. Após considerar várias possíveis embarcações, Scott comprou o Terra Nova, que havia sido usado como baleeiro e barco de treinamento desde o retorno da Antártida quando ele serviu como barco de apoio.

Levantar fundos para a expedição era um processo lento e difícil, voluntários para compor a tripulação em contraste era algo fácil de se obter. Os pedidos vinham de todo o mundo e mais de 8,000 homens enviaram suas credenciais pleiteando um lugar na expedição.

Scott fez algumas escolhas que podem muito bem ter refletido nos resultados da expedição. Ele optou por não levar cães, talvez influenciado ainda pela experiência prévia na expedição Discovery. Ao invés de animais ele recorreu a tecnologia adotando trenós motorizados que ainda estavam em fase experimental e que jamais haviam sido usados até então (transporte motorizado ainda era uma tecnologia primitiva). Para compor a tração, a expedição levaria também pôneis. A decisão foi polêmica, já que anos antes o ex-parceiro de Scott, convertido agora em rival, Ernest Shackleton, os havia utilizado sem sucesso na sua própria expedição.




Scott planejava fazer uso pleno dos trenós motorizados até onde fosse possível, estabelecendo depósitos com suprimentos ao longo do caminho. Os pôneis seriam usados para transportar e arrastar os trenós até a geleira, o obstáculo mais difícil de ser transposto. Utilizando os trenós, a equipe esperava conseguir se deslocar mais rapidamente e com um desgaste menor da equipe.

A jornada do Terra Nova foi tumultuada e cheia de imprevistos. O navio enfrentou tempestades e mares agitados desde que saiu da Nova Zelândia. A expedição perdeu animais, pôneis e cães, além de maquinário e geradores elétricos quando parte da carga se soltou esmagando os pobres animais no compartimento de carga. Em 8 de dezembro de 1910 o primeiro iceberg foi avistado e no dia seguinte, na latitude 65°8'S, o Terra Nova entrou oficialmente em águas da Antártida. O navio prosseguiu encontrando grandes pedaços de gelo flutuante o que forçou o barco a reduzir sua velocidade e consumir reservas preciosas de carvão. 

Em 30 de dezembro, Scott escreveu, "Nós estamos passando por águas congeladas desviando por um triz de enormes icebergs. Mas nada irá deter nosso avanço". Na véspera do primeiro dia de 1911, o majestoso Monte Erebus apareceu no horizonte branco e os homens puderam comemorar. Eles tentaram se aproximar da costa em Cabo Crozier, mas as águas revoltas impediram que os botes à remo fossem baixados. Cair nessa água gélida seria fatal e Scott não quis arriscar, apesar dos homens estarem ansiosos por descer em terra. 

Dessa forma, McMurdo Sound seria a próxima parada. Em 4 de janeiro, o Terra Nova ancorou no gelo e a carga começou a ser desembarcada na grossa geleira. Os pôneis estavam especialmente felizes em poder finalmente pisar em terra firme. Os animais corriam livremente pela neve e os homens brincavam como crianças. A equipe realizou algumas filmagens enquanto a carga era desembarcada pelos guindastes e Scott fincava a bandeira britânica naquele que seria o lar da expedição nos próximos anos.
 
Em um primeiro momento os trenós motorizados se mostraram muito úteis. O equipamento acondicionado em grandes caixas de madeira era colocado em trenos e puxado até o local escolhido para montar a base. Após retirar o equipamento, as caixas se transformavam nas paredes do abrigo que seria construído. Infelizmente Scott e a equipe não contavam com os problemas mecânicos que começaram a se tornar cada vez mais frequentes. O frio extremo fazia com que o combustível nos veículos congelasse. Pior do que isso, um dos trenós acabou rompendo uma camada de gelo fino e afundou no mar para desespero dos homens à bordo. Felizmente ninguém se feriu gravemente, mas o veículo se perdeu.
 
As cabanas foram erguidas rapidamente, o sistema de aquecimento foi colocado em ordem e um depósito de combustível montado. A cabana principal, usada como área comum pela equipe media 50 pés de comprimento por 25 de largura e possuía um sistema de calefação alimentado com gerador elétrico e carvão. Além disso, as placas de compensado eram insuladas para conservar o calor por mais tempo. O abrigo possuía uma sala de recreação com gramofone e vários discos, uma sala de reunião, cozinha, refeitório e enfermaria. Todas as comodidades possíveis, considerando a localização. Após montar a Cabana principal, os homens começaram a construir cabanas individuais para hospedar entre 3 e 6 homens com mais privacidade.

Assim como a Expedição Discovery, o objetivo principal da Terra Nova era chegar ao Polo Sul. É claro, haviam dezenas de outros projetos científicos que a equipe realizava diariamente, mas as energias eram conservadas para a tarefa mais importante. Existia uma espécie de corrida para atingir o Pólo Sul e os ingleses estavam disputando diretamente com os noruegueses liderados pelo veterano Roald Asmundsen que também estava à caminho da Antártida. Para os ingleses era uma questão de orgulho e patriotismo conquistar o Polo antes de seus adversários. 

Depósitos começaram a ser cavados a cada 17 milhas e abastecidos com suprimentos, combustível e provisões para que a equipe pudesse se abastecer ao retornar. Os pôneis, no entanto, estavam encontrando dificuldades em se adaptar. Os animais escorregavam e afundavam na neve macia e não conseguiam puxar o equipamento.  

Pouco antes do inverno, a equipe norueguesa aportou na Baía das Baleias e começou a montar seu campo. A equipe era bem menor, mas todos tinham vasta experiência na exploração polar. Além disso, haviam trazido um grande número de cães e trenós.  Estava claro para Scott que era necessário correr contra o tempo, os noruegueses se adaptaram rapidamente e logo estariam prontos para partir.
 
Enquanto isso, os pôneis continuavam sendo um constante problema, três animais chegaram a ser devorados por baleias assassinas depois de cair na água. Antes do fim do inverno, restavam apenas 10 pôneis, dos 19 trazidos pela expedição. 
A equipe realizou algumas viagens de trenó ainda durante o inverno para treinar com o equipamento motorizado. Entre os componentes desse grupo estava o jovem explorador Apsley Cherry-Garrard, que se tornaria um famoso aventureiro e autor do livro "The Worst Journey in the World". Em uma dessas jornadas, a Cabo Crozier, os pesquisadores fizeram importantes descobertas à respeito dos Pinguins da espécie Imperador que haviam sido descobertos poucos anos antes. O inverno permitiu que a equipe coletasse várias informações científicas valiosas, mas embora Falcon Scott estivesse envolvido em cada projeto, sua mente retornava frequentemente para a questão do Pólo. Ele deixaria tudo pronto para que pudesse partir assim que possível.

Scott decidiu que a equipe que empreenderia a jornada em busca do Pólo Sul contaria com apenas quatro outras pessoas além dele. O time escolhido era o seguinte:
Dr. E. A. Wilson conhecido como "Uncle Bill", chefe cientista e médico da expedição.
Captain L. E. G. Oates, um soldado de carreira especialista em animais.
Lieutenant H. R. Bowers, respeitado pela sua habilidade e conhecimento do clima.
Petty officer Edgar "Taff" Evans responsável pelos esquis e trenós.

A Jornada até o Polo
 
Com o grupo definido, os suprimentos foram colocados nos trenós motorizados e despachados na frente enquanto uma caravana com pôneis seguia mais atrás com suprimentos extras e combustível. Essa era conduzida por homens que não iriam até o final da jornada, mas seriam um apoio vital. Logo um dos trenós acabou se acidentando em uma fissura e foi abandonado na neve. A jornada não havia começado bem e Scott sabia que os noruegueses também deveriam estar à caminho aproveitando a significativa melhora no tempo. 

A distância da base para até o Pólo era de aproximadamente 1766 milhas estatutárias (uma distância equivalente a ir de Nova York até Chicago). Cada etapa da viagem, calculada minuciosamente por Scott devia ser rigorosamente cumprida a fim de não atrasar o progresso. O tempo era essencial. Eles viajaram durante a noite com temperaturas que jamais subiam além do zero Fahrenheit (-18°C). Lutando constantemente com deslizamentos de neve, o grupo conseguiu chegar ao campo One Ton no décimo-quinto dia de jornada. Havia uma constante preocupação de que os trenós não conseguiriam seguir por áreas muito acidentadas. Finalmente o último trenó foi abandonado e dali em diante o caminho teria de ser feito pelos animais. Por volta do vigésimo dia, a caravana alcançou o Campo Vinte e os pôneis começaram a morrer. Os pobres animais simplesmente não tinham mais força e tinham de ser sacrificados um por um quando ficavam fracos demais. 

Cada membro da equipe então começou a puxar uma carga de 100 quilos pela neve fofa que afundava até os joelhos. Alguns homens foram afetados por cegueira da neve e o progresso foi se tornando cada vez mais difícil. Em um dia a equipe conseguiu se deslocar apenas 4 milhas. Era um inferno!

A comitiva chegou ao acampamento trinta e cinco no dia 3 de janeiro e se despediu dos cinco escolhidos por Scott para seguir até o objetivo final. Os homens se despediram amargamente, a jornada que tinham pela frente não causava mais inveja a ninguém, mesmo assim nenhum deles mudou de idéia. faltavam ainda 169 milhas até o Pólo Sul. Eles haviam ido longe demais e não iriam retornar. 

Scott e os outros seguiram a rota usada por Shackleton, e conseguiram seguir adiante do ponto onde seu rival havia retornado. Além dessa marca o caminho era acidentado e cheio de perigos encobertos pela neve macia, pisar em um lugar em falso poderia ser fatal. Faltavam apenas 97 milhas para chegar ao destino, mas esse trajeto lhes custou 10 dias em virtude do clima que havia piorado: nevascas e deslizamentos eram uma constante. 

Os homens estavam esgotados, eles andavam de quatro pela neve testando cada porção à frente para não cair em uma fissura oculta. Em 16 de janeiro o tempo melhorou e eles conseguiram fazer um progresso maior. Testando as coordenadas concluíram que deviam atingir o Pólo Sul no dia seguinte. 

No final da tarde do dia seguinte, Bowers percebeu algo à frente que parecia ser uma espécie de abrigo no meio da neve. Meia hora depois o grupo alcançou um acampamento improvisado onde encontraram uma bandeira tremulando na ponta de um esqui fincado na neve. Era a bandeira da Noruega marcando o ponto exato onde a equipe rival havia chegado. Scott havia perdido a corrida.

Em 17 de janeiro, ele escreveu em seu diário "...um dia horrível..." , uma forte ventania fazia com que a temperatura atingisse quase insuportáveis 30 graus negativos a medida que o explorador escrevia; "Bom Deus! Este é o lugar mais terrível em que já estive e tudo fica ainda pior quando sabemos que todo o esforço foi realizado sem que tenhamos chegado primeiro".

A equipe norueguesa contando com equipamento e experiência superior, chegou ao pólo no dia 18 de dezembro, 30 dias antes dos britânicos. O percurso escolhido através dos Montes Transiberianos, uma rota descoberta por Amundsen, se mostrou mais acessível no final das contas.

Além da bandeira tremulando, a equipe de Scott encontrou também uma carta endereçada ao Rei Hakoon da Noruega que identificava a equipe que havia atingido primeiro o objetivo.

A viagem de regresso começou relativamente bem, mas o tempo, inevitavelmente piorou e o desânimo recaiu sobre a equipe. Scott escreveu no dia 21 de janeiro "Oates está se sentindo frio por dentro e a fadiga parece ter tomado o corpo de cada um de nós", e no dia 23 de janeiro "Wilson percebeu que o nariz de Evans havia congelado -.ficou branco e duro, finalmente começou a escurecer. Não há dúvida que Evans sofrerá nos próximos dias".
 
Os homens estavam esgotados e acidentes se tornaram cada vez mais frequentes. Wilson sofreu de cegueira da neve, enquanto o pé direito de Oates congelou e os dedos começaram a cair. Evans perdeu além do nariz vários dedos da mão. Scott também sofreu uma queda e feriu seriamente o ombro. A equipe parecia estar se desintegrando lentamente. Pedaço por pedaço. Era impossível afastar o sentimento de que o fim se aproximava.
 
Perderam-se em um trecho acidentado ao descer a Geleira Beardmore e enfrentaram um verdadeiro pesadelo passando dois dias quase ao relento, incapazes de encontrar uma saída do lugar. Com os suprimentos quase no fim, eles levaram algum tempo até localizar o depósito que havia sido deixado para trás contendo provisões. "Foi um imenso alívio encontrar os suprimentos. Um alívio que não pode ser exprimido em palavras... Ontem talvez tenha sido a pior experiência de toda a viagem e tivemos uma sensação horrível de insegurança".

Em 16 de fevereiro, Scott escreveu: "Evans está quase irreconhecível, creio que sua mente não está mais sã. Ele se afastou do grupo e tem demonstrado um comportamento errático. Ontem, nós o perdemos de vista e chegamos a imaginar que ele havia tido algum tipo de surto. O encontramos na hora do almoço, estava de joelhos, a roupa desarrumada, as mãos nuas sem as luvas com um olhar febril e selvagem.  Tivemos de colocá-lo no trenó pois não parecia seguro deixá-lo por conta própria. Poucas horas depois, já no campo que erguemos ele entrou em coma. Ele morreu em silêncio por volta da meia-noite".
 

O tempo continuava conspirando contra eles, como se fosse uma entidade viva e tirânica que desejava eliminá-los. A temperatura já havia caído para insustentáveis -40 C e a esperança parecia ter abandonado os aventureiros. Em 5 de março a anotação reflete o pessimismo de Scott: "Oates pediu para que fosse deixado para trás. Ele não quer atrasar o restante da equipe e foi difícil convence-lo do contrário. Nós o carregamos até onde foi possível. A noite ele estava ainda pior e enquanto descansávamos após a longa marcha, nosso amigo reuniu suas forças e se afastou do acampamento dizendo que se afastaria apenas por alguns instantes".

Oates havia se afastado para morrer solitariamente para não ser mais um fardo para os companheiros, uma vez que sabia que suas condições iriam piorar ainda mais. Seus pés estavam tão feridos e congelados que o processo de calçar as botas havia se transformado em uma verdadeira tortura. Ele havia andado os últimos quilômetros apenas de meias e não podia dar mais um único passo.

O último acampamento foi erguido em 19 de março a apenas 11 milhas do próximo depósito de suprimentos. Uma nevasca os castigava impiedosamente. Scott sofria de congelamento em seus pés, Wilson e Bowers também não estavam nada bem e o grupo havia decidido aguardar naquele ponto até que o clima amenizasse. Mas foi justo o contrário, a ventania era cada vez mais forte e o frio congelante. Eles jamais deixaram esse acampamento ficando sem suprimentos e combustível. muito cansados e famintos para enfrentar o clima. Em 29 de março Scott fez sua anotação derradeira:

"Desde o dia 21 nós enfrentamos um vendaval contínuo. Nós só temos combustível para ferver duas xícaras de chá a alimentos para mais dois dias. Nós estamos dispostos a seguir para o próximo depósito, mas observando através da porta da tenda a cena continua é desoladora. Não acredito que as coisas irão melhorar a essa altura. O fim não pode estar longe... é uma pena, mas não posso escrever mais".

A tenda e seus ocupantes congelados foram encontrados 8 meses mais tarde em 12 de novembro daquele ano. Os cadáveres estavam deitados em abrigos improvisados e ao que tudo indica Scott foi o últimno a morrer pois os outros dois pareciam parcialmente cobertos.



A equipe de resgate respeitosamente ergueu um mausoléu usando pedras e restos dos trenós e esquis da equipe. os corpos foram enterrados nesse local e uma missa foi rezada por um capelão que acompanhou o grupo de busca. O diário da trágica expedição foi colocado em uma lata de metal dentro da mochila de Scott a fim de ser preservado e servir de epitáfio para seu esforço.

A equipe conduziu uma busca pelo corpo do Capitão Oates, mas ele jamais foi encontrado, apenas uma bolsa e uma bota foram achados próximo ao último local em que ele foi visto com vida segundo o diário.

Uma equipe de exploradores anos depois trouxe da Inglaterra uma cruz de ferro e uma placa de granito que foram fixadas sobre o mausoléu de pedra. Na placa lia-se a seguinte frase:
 
"Neste lugar pereceu um grupo de galantes cavalheiros..." e o nome dos cinco aventureiros que jamais retornaram:
 
Lieutenant H. R. Bowers
Petty officer Edgar "Taff" Evans
Captain L. E. G. Oates
Captain R. F. Scott
Dr. E. A. Wilson
 
 
A placa e o mausoléu estão lá até hoje.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Superando Limites - Robert Falcon Scott e a primeira missão na Antártida


"A cada dia surge algum fato novo - algum novo obstáculo que ameaça se tornar intransponível. Suponho que essa é a razão pela qual esse jogo vale a pena ser jogado".


Robert Falcon Scott escreveu seu nome no rol dos grandes aventureiros e exploradores do século XX pela sua contribuição desbravando o território inóspito da Antártida e pela obstinada corrida pelo Pólo Sul. Embora tenha perdido a disputa e encontrado uma morte dramática, seu legado permanece como uma estória de bravura e superação diante das adversidades.  

Scott nasceu em uma família bem sucedida de Devon, no sul da Inglaterra no ano de 1868. A família sempre teve tradição náutica, tanto por parte de pai quanto de mãe e como não poderia deixar de ser, Robert foi criado nesse meio, indo ao mar pela primeira vez aos treze anos. Ele aprendeu as lições do mar e assim que possível se alistou na Marinha Real avançando de posto rapidamente.O destino colocou Scott e um geógrafo chamado Clements Markham lado a lado, enquanto viajavam pelas Indias Ocidentais. 

Os dois se tornaram amigos quase que imediatamente, compartilhando estórias sobre aventuras em alto mar e exploração. Markham ficou impressionado pela inteligência de Scott, entusiasmo e perícia náutica. Na visão do geógrafo, Scott era um candidato perfeito a se tornar um explorador da Royal Society. Ele escreveu em seu diário: "Minha conclusão é que o Sr. Scott possuía todas as qualificações necessárias para ser um explorador e que estava destinado a um dia comandar uma Expedição aos confins da Terra".


Alguns anos mais tarde, os dois homens se encontraram novamente dessa vez na Inglaterra. Na ocasião Markham estava preparando uma expedição científica patrocinada pela Royal Society com destino a Antártida, uma das últimas fronteiras da humanidade. Ele conseguiu persuadir Scott a tomar parte nessa empreitada. Após 18 anos servindo na Marinha Real, o experiente capitão estava se sentindo inquieto e desejava expandir seus horizontes. Filiando-se a Royal Geographical Society, Scott não apenas foi aceito, mas graças às suas qualificações, acabou alçado a posição de comandante da expedição. Em 1900, ele recebeu as instruções para partir na missão que ficaria conhecida como a "Expedição Discovery".
O navio a ser utilizado, o Discovery, foi construído especificamente para essa viagem. Era uma embarcação resistente de madeira, medindo 172 pés e pesando 485 toneladas. O Discovery deixou o atracadouro de Dundee já com todo o equipamento e tripulação em 31 de Julho de 1901, com destino a Antártida. Entre os membros da expedição estava Ernest Shackleton, na época um tenente responsável pelo compartimento de carga, provisões e análise de água.

Ao avistar o Continente Gelado e após conduzir algumas explorações iniciais ao longo da costa, o Discovery iniciou seu caminho até McMurdo Sound, local escolhido para erguer a base de operações em terra. Muitas viagens tiveram de ser feitas para que o equipamento fosse desembarcado do navio e montado antes da chegada do Inverno. Scott e seus homens tiveram de trabalhar duro para concluir todas as tarefas necessárias, lutando com um cronograma apertado e as dificuldades impostas pelo clima. "Foi um difícil aprendizado" ele escreveu no diário da expedição.


A expedição planejava realizar uma série de projetos científicos e exploratórios conduzidos pelos membros graduados que faziam parte dela. O objetivo principal, no entanto, era atingir o Polo Sul ou chegar o mais próximo dele, viajando por terra pelo território desconhecido. Fama e glória aguardava o explorador que realizasse essa conquista. A equipe principal formada por Scott, Wilson e Shackleton, conduziu os preparativos para a jornada em terra, escavando depósitos de suprimentos, que eram enterrados na neve, para que o grupo pudesse se abastecer na viagem de volta. Dessa forma, os trenós puxados por cães teriam de carregar apenas o material estritamente necessário em sua viagem e poderiam contar com uma linha segura de abastecimento ao retornar.  

A equipe de exploração partiu da base em McMurdo e nos primeiros dias realizou um avanço considerável pela paisagem perene e congelada. Mas embora a equipe tenha levado cães treinados, eles se mostraram intimidados pelo rigoroso ambiente. Em parte isso se deveu a comida oferecida aos animais que não era de boa qualidade. Os cães começaram a demonstrar fraqueza e irritação o que atrapalhou o avanço planejado. Para piorar, Shakleton começou a apresentar os efeitos de escorbuto decorrente da alimentação inadequada. O médico Wilson sofreu de cegueira de neve, e ficou desorientado de tal forma que teve de ser amarrado a um dos trenós.

Scott sabia que se forçasse a marcha poderia condenar a todos e acabou tendo de ordenar o retorno a base em 31 de dezembro de 1902. O grupo havia avançado até o paralelo 82°17'S, cerca de 300 milhas mais longe do que qualquer outra expedição anterior. Não havia como saber, mas eles estavam a "apenas" 480 milhas de seu objetivo final. Levou quase um mês para que eles chegassem a McMurdo, e quando avistaram a base, Scott escreveu: "Finalmente! Nós estávamos alcançando quase nosso limite físico e mental". O grupo havia partido há 93 dias e coberto uma distância total de 960 milhas.

No campo os trabalhos também haviam avançado. Um navio de suporte, o "Morning" havia chegado da Nova Zelândia trazendo suprimentos adicionais e substituindo o pessoal que apresentava ferimentos ou esgotamento. O Morning partiu em primeiro de Março de 1903, levando consigo os resultados do trabalho científico e exploratório obtidos, deixando em troca uma nova equipe disposta a enfrentar os rigores do inverno. Uma infinidade de fotografias, análises metereológicas, mapeamento e experiências haviam sido realizados e todo esse material era ansiosamente aguardado pela comunidade científica.

O Morning retornou apenas em 1904, dessa vez acompanhado de outra embarcação, o "Terra Nova". O governo da Inglaterra havia decidido que a equipe que já estava na Antártida há quase 3 anos e meio deveria retornar à civilização, uma vez que novos navios não seriam enviados com suprimentos. Os custos da viagem eram muito altos e se fazia necessário concluir a expedição.

Quando os preparativos de partida foram iniciados, cogitou-se por algum tempo que o Discovery teria de ser abandonado já que estava preso no gelo a uma distância de mais de 20 milhas do mar. Com muito trabalho e empregando explosivos o navio foi finalmente libertado de sua prisão gelada e as três embarcações fizeram seu caminho de volta rumo ao norte..

As grandes descobertas e a experiência obtida pela equipe em um dos ambientes mais inclementes do planeta fez com que o empreendimento tenha sido considerado um sucesso. Apesar de não ter atingido o Pólo, Scott foi coberto de honrarias e tratado como um herói em seu retorno triunfante.

Mas o explorador não estava satisfeito, em meados de 1907, ele já planejava seu retorno para uma segunda e mais ambiciosa expedição ao continente gelado.

(Cont...)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

O Legado do Terra Nova - Lendário Navio da Expedição a Antártida encontrado no fundo do mar


O navio SS Terra Nova tem um nome sagrado na história da exploração.

O navio foi usado pelo legendário explorador britânico Robert Falcon Scott em sua derradeira missão na Antártida entre 1910-1912. A expedição terminou de forma trágica, com a morte do explorador polar que tencionava ser o primeiro a atingir o Pólo Sul. Depois dessa missão, a embarcação foi comprada e comissionada para outros serviços e eventualmente utilizada como cargueiro transportando cereais para a Groenlândia durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1943 ele se chocou com um iceberg e após sofrer danos consideráveis no casco naufragou nas águas geladas do Atlântico Norte, para nunca mais ser visto novamente.

Ao menos até agora!

O Falkor, um navio de pesquisa pertencente ao Schmidt Ocean Institute realizava testes de rotina de um novo equipamento de mapeamento submarino na costa da Groenlândia quando descobriu por acaso a localização do Terra Nova. Incertos sobre o que haviam encontrado, o time utilizou uma câmera submarina automática para explorar a descoberta com mais cuidado. A câmera fez uma filmagem da embarcação naufragada e comparando as imagens com os registros do Terra Nova foi possível confirmar a identidade do navio.

Construído em 1884, o Terra Nova era uma embarcação robusta de três mastros com 57 metros de comprimento, usada primeiramente como baleeiro e navio de treinamento. Em 1903 ele foi comprado e transformado em embarcação de pesquisas e exploração, comissionado sob o comando de Robert Falcon Scott, que o utilizou em sua segunda viagem a Antártida. O casco reforçado do Terra Nova concedia uma vantagem crucial para a expedição que Scott estava organizando. A resistência do navio permitia o deslocamento em águas perigosas repletas de icebergs e geleiras. Além disso, o navio também era rápido e ágil permitindo a realização de manobras para evitar os pedaços de gelo flutuantes.

Scott usou o Terra Nova, sete anos depois, quando conduziu a mal fadada expedição em busca do Pólo Sul. A Expedição ficou conhecida como Terra Nova, nomeada assim em função do navio. Ao chegar ao Mar de Ross, na costa do Continente Gelado a equipe de Scott seguiu de forma audaz por terra, em uma jornada de 167 milhas. Enquanto isso o navio foi usado como base de operações e aguardava o retorno do grupo realizando pesquisas científicas. Infelizmente, nenhum dos homens que deixou o Terra Nova e se aventurou continente adentro retornou com vida. A morte da equipe foi um episódio ao mesmo tempo trágico e heroico na história da Exploração no século XX.  

Após a morte de Scott, o navio foi negociado, servindo a uma companhia pesqueira em Newfoundland. Em 1942, a necessidade de navios rápidos capazes de transportar suprimentos fez com que o Terra Nova fosse utilizado como navio de carga. Uma vez que a maioria das rotas mercantes havia sido cortada pelos submarinos alemães, o Terra Nova desempenhava uma importante função de abastecimento. O acidente que resultou no naufrágio do Terra Nova ocorreu em uma área perigosa afligida por tempestades repentinas.    Embora houvesse uma noção da área onde havia ocorrido o naufrágio, o paradeiro do Terra Nova continuava indeterminado.

Sem dúvida a descoberta do importante navio, parte de um valioso legado histórico, despertará interesse sobre a vida e carreira de Robert Falcon Scott.

Seria fantástico se esse navio fosse recuperado e colocado em algum museu náutico. Infelizmente a análise das imagens indica que o Terra Nova sofreu sérios danos quando atingiu a posição em que se encontra atualmente, 1000 pés abaixo da superfície. Seria um empreendimento extremamente caro tentar recuperar a embarcação, que pode literalmente se desintegrar se for movida.

Portanto, ele deverá ficar nas profundezas para sempre, um monumento a uma época em que parte do nosso mundo ainda era desconhecido. Quando alguns heróis tentavam obstinadamente conquistar as últimas fronteiras.

*   *   *

A História do Capitão Robert Falcon Scott é uma das mas incríveis narrativas de aventura e exploração de todos os tempos.

Simplesmente incrível o que essas pessoas conseguiam realizar numa época em que não havia equipamentos modernos e as dificuldades eram gigantescas. A jornada desses exploradores pioneiros não era menos do que épica. Eles se lançavam literalmente rumo ao desconhecido sem saber se conseguiriam atingir seus objetivos, sem saber o que iriam encontrar ou mesmo se sobreviveriam a empreitada.

Outros tempos em que os homens eram talhados para grandes aventuras.

sábado, 18 de agosto de 2012

Vencedores dos ENnies Awards: Saíram os premiados do Oscar do RPG Mundial



Saíram os resultados do ENnies Awards 2012, considerado o Oscar do RPG Mundial.

A Cerimônia ocorreu durante a tradicional GenCon.

Aqui estão os resultados dos grandes vencedores nas categorias Ouro e Prata:

VENCEDORES DE 2012

Melhor Aventura:
Melhor Acessório
Melhor Arte de Capa
Melhor Arte Interior
Melhor Blog
Melhor Cartografia
Melhor Livro Eletrônico
Melhor Produto Gratuíto
Melhor Jogo
Melhor Produto de Miniatura
Melhor Livro de Monstro/Adversário
Melhor PodCast
Best Production Values
Melhor Produto relacionado a RPG
Melhores Regras
Melhor Ambientação
Melhor Suplemento
Melhor Website
Melhor Texto
Produto do Ano
Comentários:

Nem todos os meus preferidos ganharam, mas acho que no geral os resultados foram justos.

Eu torcia bastante pelo Marvel Heroic Roleplay, e mesmo tendo recebido três prêmios, lamentei por ele ter sido vencido na categoria Produto do Ano. Mas tudo bem.

As premiações foram bastante divididas e todos os favoritos conseguiram ganhar pelo menos um prêmio.

Foi um ótimo ano para as ambientações baseadas no Mythos. A Chaosium recebeu dois prêmios: prata para a magnífica arte da capa do Cthulhu Gaslight e Ouro na categoria Melhor Suplemento do ano pelo mesmo livro. 

Ambos merecidíssimos! Cthulhu Gaslight é um dos melhores lançamentos da Chaosium nos últimos anos, um belo trabalho que merece todos os elogios.

Além disso, a Pellgrane ganhou ouro com "The Investigator's Guide to Occult London" na categoria Melhor Texto, outro prêmio correto ao meu ver. A Casa do Gunshoe ganhou outros prêmios com suas ambientações na vertente Space Opera, com Ashen Stars e Fantasia, com Lorefinder.

"Cthulhu Apocalypse: The Apocalypse Machine" escrito por Graham Walmsley também fez bonito recebendo o Ouro como Livro Eletrônico. Parabéns ao Walmsley que também concorreu, mas infelizmente não levou pelo "Stealing Cthulhu".

E finalmente a Cubicle 7, surpreendeu com seu ouro em Melhor Ambientação com o "Cthulhu Britannica: Shadows over Scotland". Ótima notícia que deve impulsionar a linha Britannica da Cubicle e proporcionar outros livros semelhantes.

Parabéns aos vencedores!

E uma nota de destaque. Nosso colega Pedro Ziviani, autor do Mythic Iceland (vocês já leram à respeito aqui no Blog), foi o representante da Chaosium na cerimônia e subiu no palco para aceitar os prêmios.

Parabéns Pedro! Tornando-se oficialmente um dos Grandes Cultistas da Editora do Caos!

Aqui está a foto que ele enviou para o Mundo Tentacular no Facebook:

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

"O que vive nesses mares" - O Mito do gigantesco Ningen


O oceano com suas vastas profundezas está repleto de mistérios e esquisitices que provavelmente jamais viram a luz do dia. São poucos os que negam que os mares ainda estão cheios de enigmas e formas de vida desconhecidas, simplesmente aguardando serem descobertas. Faz pouco tempo, afinal de contas, que a ciência comprovou a existência das lendárias Lulas Gigantes e dos bizarros Celacantos.

A maioria das pessoas, contudo é mais reticente em admitir a possível existência de animais gigantescos nas insondáveis profundezas. Criaturas como o Ningen existiriam apenas em narrativas desconexas e confusas. Será verdade? 

O "Ningen" - que se traduz como "humano" em japonês - foi apelidado assim pelos pescadores nipônicos do Pacífico. Há inúmeras narrativas sobre avistamentos de criaturas marinhas no folclore oriental que remontam aos  tempos em que os primeiros marinheiros se lançaram no mar. O folclore japonês é cheio de criaturas fantásticas que se enquadram sob o título de YokaiDesde o primitiva tartaruga sem casca, conhecida como Kappa até o imenso elefante marinho conhecido por Baku, os Yokai são uma classe de criaturas místicas, muitos dos quais absurdas em vários sentidos.

Diferente das lendas antigas envolvendo Yokai, estórias sobre o Ningen surgiram recentemente, a partir da década de 1990 quando vários homens do mar alegaram ter visto criaturas similares nadando em águas profundas. Estes pescadores profissionais ficaram espantados com o tamanho do monstro e ainda mais chocado por esta besta albina parecer chocantemente humanoide em aparência.

As testemunhas dizem que ele mede entre 60 e 90 pés de comprimento (18 e 27 metros respectivamente) e pesa dezenas de toneladas. O Ningen é descrito como uma imensa criatura marinha semelhante a uma baleia, com pele de textura suave e pálida quase branca e com um formato que lembra vagamente a cabeça, tronco e apêndices de um ser humano. Quem o avistou, afirma ainda que o Ningen tem uma cauda de sereia no lugar das pernas, enquanto outros insistem que ele possui nadadeiras semelhantes a membros que lhe permitem, inclusive, andar em terra como um bípede. A criatura teria ainda "mãos", dotadas de cinco dedos nas extremidades de braços longos e esguios.

Estes animais têm sido supostamente vistos nos Oceanos Pacífico e Antárctico, e são sempre descritos como extraordinariamente grandes e com uma aparência esbranquiçada que o destaca na água. Muitos observadores relataram que esses animais não têm características faciais distintas a não ser dois olhos enormes e uma fenda que lhe serve de boca. Segundo a maioria dos relatos, as criaturas tem hábitos noturnos e preferem correntes marinhas frias

Assim como as baleias, eles precisam subir à superfície para respirar e quando o fazem lançam grande quantidade de água e espuma. Em algumas oportunidades eles foram vistos aos pares ou até em grupos maiores, embora na maioria das vezes sejam encontrados sozinhos. Machos e fêmeas são praticamente iguais sendo impossível distinguir o sexo, se é que existe separação por gênero.

Nas vezes em que foram avistados, os Ningen simplesmente nadaram ao redor das embarcações mantendo uma distância de pelo menos 10 metros. Os barcos que tentaram seguir o animal, descobriram que ele pode se mover velozmente e desaparecer em segundos mergulhando nas profundezas. Alguns teóricos conjecturam que os Ningen habitam águas profundas e que precisam subir à superfície raramente, eles também viveriam sob calotas polares onde encontram nichos e depósitos de ar. O derretimento acelerado dessas calotas teria forçado os Ningen a se afastar do seu habitat natural possibilitando seu avistamento cada vez mais frequente.

Testemunhas também chamaram a atenção para o estranho canto do Ningen, que não se assemelha a nenhum som de animal marinho conhecido e que parece um longo lamento.

O NASCIMENTO DA LENDA:

Não se sabe ao certo quando os primeiros relatos sobre essa criatura gigantesca começaram a circular​​; mas supõe-se que o Ningen ganhou notoriedade quando informações sobre avistamentos acompanhados de relatos apareceram on-line em fóruns populares de notícia no Japão. Um indivíduo anônimo que alegava trabalhar em um "navio de pesquisa do governo", fez um relato completo sobre o avistamento de uma dessas criaturas que acompanhou o navio em que ele estava.

Segundo o relato dessa testemunha - corroborado mais tarde por outros colegas pesquisadores - os tripulantes foram atraídos ao convés pelo alerta de um dos vigias que havia visto o que inicialmente pensava se tratar de um "submarino estrangeiro". Quando o navio de pesquisa se aproximou do objeto ficou evidente que eles não estavam lidando com um veículo submergível, mas com uma forma de vida desconhecida. A tripulação observou com admiração a gigantesca criatura, tratada como algum tipo de baleia acometida de uma anomalia. O animal nadou a uma distância de no máximo 30 metros do navio, fazendo evoluções e surgindo na superfície pelo menos duas vezes até que submergiu e não foi mais vista.

Há rumores persistentes que sugerem que os membros desta equipe oceanográfica registraram a aparição tirando fotografias e realizando filmagens extraordinárias da "coisa" durante o seu breve encontro. Tais imagens teriam sido suprimidas e confiscadas, a fim de poupar o instituto que promoveu a missão do constrangimento - ruína financeira - de ser associado a este tipo de manchete sensacionalista. Sem dúvida, a explicação se refere ao suposto avistamento de "águas vivas gigantes" em 2002 que se provou um fiasco e arranhou a credibilidade do órgão de pesquisas oceanográficas do Japão que deu crédito a imagens falsas.

Não é preciso dizer que logo que essa ocorrência se tornou pública, através do relato de supostas testemunhas, o enigma ganhou interesse da imprensa e do público. Em novembro de 2007, o burburinho em torno desses monstros misterioso, e as fotografias que começaram a aparecer, era tão intenso que os editores da revista japonesa "Mu" publicaram um longo artigo sobre este acontecimento desconcertante.

A "Mu", é uma publicação semelhante a "Fate," uma revista que se dedica à difusão de informações sobre todos os tipos de fenômenos paranormais, o que inclui cryptids, o avistamento de animais e criaturas desconhecidos e não catalogados pela ciência. Em seu artigo sobre o Ningen a revista questionava a existência da tal criatura marinha, entrevistava autoridades, cientistas, biólogos e marinheiros além de questionar a possível existência de uma criatura marinha gigantesca. A edição foi um sucesso e o Ningen se tornou ainda mais popular, ganhando fama internacional.

Fotografias e desenhos da criatura ilustravam as páginas da revista. A "Mu" exibiu ainda uma imagem do Google Maps do que parecia ser uma criatura semelhante ao Ningen nadando no Atlântico Sul, próximo da costa da Namíbia.

Logo após a publicação do artigo, um dilúvio de cartas bombásticas, relatos exagerados, fotos desfocadas e vídeos com imagem granulada inundou a web com indivíduos afirmando ter visto a mesma criatura marinha em alguma ocasião. A maioria dos relatos e material gravado era no mínimo de origem questionável, sendo que alguns eram falsificações grosseiras. Outros no entanto eram simplesmente estranhos e impossíveis de serem avaliados. Mas alguns poucos causaram dúvida como a misteriosa fotografia de uma criatura bípede, semelhante a um cetáceo "caminhando" sobre calotas polares na Antártida.

O farto material alimentou a discussão e acalentou a teoria de que o governo japonês teria conhecimento da existência dessa forma de vida e que levava muito à sério qualquer relato feito por embarcações que afirmavam ter visto a criaturaDe fato, existem inúmeros rumores sobre investigadores do governo ligados às forças armadas japonesas, sobretudo a Marinha, fazendo perguntas e entrevistando testemunhas.

Um dos boatos mais extraordinários envolveu o avistamento de um Ningen pela tripulação de um barco de pesca em águas japonesas no ano de 2008. A tripulação do pesqueiro teria visto não apenas uma, mas duas das bizarras criaturas nadando em águas mais rasas. Os animais teriam circulado o pesqueiro várias vezes, rompendo a linha de superfície e se aproximando ficando a apenas cinco metros do costado. Na ocasião, os pescadores tiraram várias fotos e chegaram a fazer um vídeo curto da experiência. Eles teriam ainda gravado o som do canto do animal. A prova irrefutável teria sido negociada com um canal de televisão japonês, que comprou o material e pretendia apresentá-lo em um programa de televisão. Na última hora, o material teria sido confiscado por autoridades que exigiram a entrega de todas as fotos e filmes sob pena de instauração de processo.

Os defensores da existência do Ningen afirmam que a maior parte das fotografias de má qualidade, montagens e narrativas simplórias que vieram à público foram criadas para encobrir a verdade e rejeitar toda e qualquer noção de que essas coisas possam ser reais. Segundo esses "teóricos de conspiração", a melhor maneira de desacreditar uma estória real é contá-la de uma forma que qualquer menção a ela pareça inacreditável, ridícula e em ultima análise delirante.

Qualquer entusiasta da ufologia defende que esta é a mesma tática usada pelos EUA e muitos outros governos para descreditar fenômenos envolvendo os OVNI. O maior de todos os fenômenos envolvendo um mistério ufológico, o famoso Caso Roswell parece seguir essa cartilha, nele supostos discos voadores foram tratados como balões metereológicos. Os céticos sugerem que esse método foi empregado para reduzir a paranóia crescente sobre "discos voadores" durante a Guerra Fria.

Poderia o Ningen ser um exemplo de encobrimento governamental? E se essa for a verdade, com qual objetivo? Seriam esses titãs uma forma de vida inteligente ou algo que a humanidade não está pronto para ter contato e que as autoridades precisam desacreditar.

Enfim, se o Ningen não existe, o que poderiam ser as criaturas avistadas?

As probabilidades são esmagadoras de que uma lenda relativamente nova, como a do Ningen, não passe de invenção pura e simples, mas vamos supor que as testemunhas tenham visto algo. Tendo isso em mente, as teorias mais populares sobre os avistamentos incluem espécies não classificadas de animais marinhos e fenômenos paranormais, como por exemplo:

ARRAIA GIGANTE

Há muitas especulações de que o Ningen possa ser uma espécie até agora desconhecida de arraia gigante albina.

Supõe-se que não seja algo inteiramente além do reino da possibilidade que exista uma espécie incomum desse enorme peixe. Uma espécie especificamente adaptada aos climas frions pode ser naturalmente camuflado para se misturar com os icebergs flutuantes e detritos congelados. mesmo assim, é difícil acreditar que um animal tão grande poderia permanecer desconhecido, muito menos invisível, até o precipício do século 21.

No entanto, alguns cientistas têm especulado que os seres humanos conseguiram catalogar apenas 20% de todas as espécies que vivem nos oceanos do mundo. Considerando este fato, as chances de que grandes criaturas marinhas desconhecidas possam ter escapado de nossa detecção - especialmente se eles existem quase que exclusivamente abaixo do gelo - melhora dramaticamente.

Mas se não estamos lidando tão somente com uma espécie de peixe gigante, então talvez o Ningen seja algo distintamente sobrenatural, como:

DEMÔNIOS DA ÁGUA (YOKAI)

Talvez esse fenômeno predominantemente japonês seja mais do que uma simples lenda e tenha um fundo de verdade. Vale a pena considerar o fato de que todos os relatórios sobre o Ningen são japoneses em origem. Quem sabe os Ningen sejam uma espécie de entidade sobrenatural, que é - por razões além da compreensão humana - exclusivamente avistada por japoneses. Quem sabe? Coisas estranhas têm acontecido.

Ok, vamos abandonar o paranormal por um momento e mergulhar no reino da tecnológica, para que possamos refletir sobre a teoria de que esses organismos são alguma forma de vida bio-mecânica

O.S.N.I.

O.S.N.I. (Objetos submersíveis não identificados) são o equivalente aquático aos O.V.N.I. Esses objetos construídos por alguma inteligência desconhecida seriam capazes de se deslocar através do mar como se estivessem voando e mergulhar nas profundezas do oceano com a mesma facilidade. Estes estranhos "veículos" têm sido avistados entrando e saindo dos mares desde os tempos de Cristóvão Colombo, e aparições continuam até hoje.

Enquanto a maioria das pessoas presume que os OSNI são veículos altamente tecnológicos provenientes de outro mundo, há quem acredite que eles podem vir de civilizações subaquáticas mais avançadas que a nossa. Há também teorias que consideram a possibilidade de que esses objetos podem realmente estar vivos. Parece improvável, mas talvez o estranho formato do Ningen que as pessoas supõem se tratar de um animal, seja na verdade uma nave submarina.

Mas, supondo que eles não são resultado de uma avançada engenharia bio-mecânica, então talvez devêssemos considerar a possibilidade de que eles são simplesmente ...

ALIENIGENAS

Quando se pensa em todas as formas diferentes de vida em nosso  planeta, então o potencial para grandes diferenças na vida no resto do universo parece virtualmente ilimitado. Alienígenas podem ter formas e tamanhos que sequer podemos imaginar e, se estamos tentando imaginar que tipo de formas de vida viriam nos visitar, em nosso planeta predominantemente aquoso, temos de aceitar que essas espécies poderiam ter natureza aquática.

Por mais estranho que essa hipótese pode parecer num primeiro momento, temos de perceber que o viés biológico da nossa espécie, voltado para a vida terrestre, parece improvável quando estudamos a composição de nosso planeta. Os mares, afinal de contas, dominam nossa bela esfera azulada.

Pode parecer absurdo, mas é concebível que a razão para ninguém ter visto o Ningen até a década de 1990 é porque até então eles nunca existiram na Terra. Talvez estes Ningen sejam uma espécie visitante explorando nosso ecossistema e especialmente adaptados a essas condições.

CONCLUSÃO:

Examinando os relatos sobre o Ningen, tudo parece remeter a simples "estórias de pescador", um mito combinado com informações proliferadas na internet. Adicione a esta mistura um inteligente Photoshop e temos os ingredientes de uma lenda marinha das dimensões do Kraken Carnívoro.

Vale a pena mencionar, no entanto, que - depois de gerações de folclore sobre criaturas como o kraken foram veementemente criticado pelos acadêmicos - os cientistas modernos puderam, finalmente, confirmar a existência de lulas gigantes, capazes de enfrentar baleias em mares profundos. Assim, mesmo que a maioria, senão todas, as fotos do Ningen sejam falsas e as histórias para apoiá-las não passem de invenção, isto não exclui completamente a possibilidade de que a gênese desta lenda possa ter uma base real. 

Os Ningen podem ser uma brincadeira, realidade ou objeto de uma conspiração vasta e global, não importa. As criaturas continuam a ser um enigma intrigante, e apenas se uma carcaça aparecer numa praia isolada ou congelada em um iceberg, saberemos ao certo.