domingo, 19 de julho de 2015

O Ídolo de Shigir - A Ancestral estátua de 10 mil anos de idade


Muito se fala a respeito de arte e do que cada obra representa. o que o artista quis dizer com a sua obra, o que ele desejava representar, que reações ou emoções ele pretendia produzir. 

Mas qual seria o significado oculto por trás de uma estátua com mais de 10 mil anos de idade?

O Idolo de Shigir é considerada uma das peças mais importantes e misteriosas de arte pré-histórica encontrada na Europa. A ancestral estátua de madeira, que atualmente se encontra no acervo de um museu na Rússia, foi datada por testes de rádio carbono como tendo 10.000 anos de idade, fazendo dela pelo menos 5.000 anos anterior ao Monumento de Stonehenge e duas vezes mais antiga do que as Pirâmides do Egito. O Idolo não é apenas a mais antiga estátua de madeira do mundo, mas é também a mais alta obra primitiva de que se tem notícia, atingindo, quando completa, quase dois andares de altura. 

Coberta com estranhas marcas e com símbolos geométricos em toda sua superfície, alguns pesquisadores supõem que ela contém informações codificadas sobre a criação do mundo, deixadas por homens do período mesolítico.

A estátua foi descoberta em janeiro de 1890 na região de Sverdlovsk, nos limites ocidentais da Sibéria, na Rússia. Ela foi preservada, graças a uma espécie de cápsula formada naturalmente a aproximadamente quatro metros de profundidade no solo rochoso. Protegida por camadas de lama com ínfima concentração de bactérias, ela ficou preservada no interior de uma mina de ouro. O idolo sobreviveu à deterioração graças ao efeito da lama e da temperatura constante; fria e seca no interior de seu invólucro.     

Quando ela foi encontrada por mineradores, o ídolo estava separado em várias partes. Seus descobridores não sabiam exatamente o que haviam descoberto e supunham que se tratava de um fardo com pedaços de esquis ou de um trenó primitivo. O material estava guardado dentro de uma espécie de saco rústico de couro coberto de lama. Por pouco, os mineradores não destruíram as peças e usaram seus pedaços como lenha. O que os conteve foi a descoberta da "cabeça" que fez com que os homens se perguntassem o que realmente seria aquela coisa misteriosa enterrada nas profundezas da mina com enorme cuidado e devoção.


Um professor chamado Dmitry Lobanov foi chamado para avaliar a descoberta que ficou em um canto, guardada num galpão, por cerca de meio ano. Os homens não gostavam daquela coisa e só o seu temor primitivo evitou que a estátua fosse destruída. O professor tirou algumas fotos mas não dedicou muita atenção à estátua, considerando que ela apenas um exemplo da arte de povos nômades. A peça foi embalada e levada para a cidade de Ecaterimburgo onde permaneceu aguardando por alguém que lhe desse a devida importância.

Na virada do século XIX várias peças curiosas começaram a ser encontradas na mesma mina e estas atraíram a atenção de arqueólogos. A estátua foi então estudada com mais cuidado e Lobanov encaixou as peças fazendo com que a estátua chegasse a altura de 2,80 metros. Ela foi finalmente apresentada como uma obra de arte importante, muito embora ninguém soubesse sua verdadeira idade. Em 1914, o arqueólogo siberiano Vladmir Tolmachek realizou um novo estudo nas peças e descobriu outras partes que não haviam sido usadas no modelo de Lobanov; uma vez incorporadas ao conjunto, a estátua passou a medir impressionantes 5,30 metros de altura.

Durante os anos de caos e agitação política com a Revolução Bolchevique, o Museu de Ecaterimburgo foi saqueado e a estátua danificada. A porção montada por Tolmachek foi removida. Supostamente Tomachek não era bem quisto pelos revolucionários que desqualificaram suas credenciais e seu trabalho. As peças posteriormente acabaram destruídas, mas ao menos, os desenhos e fotografias que o estudioso havia feito, sobreviveram.   

A estátua permaneceu no Museu de Ecaterimburgo, ou Sverdlovsk como a cidade passoua  se chamar em homenagem a um dos heróis revolucionários. Em 1948, Tolmachek que morreu em um gulag siberiano foi reabilitado e seu trabalho reconhecido.

Hoje, o ídolo de Shigir está em exposição em uma ala especial dedicada apenas a ela.

A estátua foi entalhada em madeira de lariço e para moldá-la o artista utilizou uma colher e talhadeiras de pedra. Seu corpo é achatado e retangular com uma série de lihas horizontais no nível do tórax, que parecem represnetar as costelas. De acordo com pesquisadores, existem sete faces representadas na estátua. Em ambos os lados, na frente e no verso, existem faces dispostas ao longo da obra, com uma sétima face conectando os dois lados, completanto sua composição. Acredita-se que a estátua represente a imagem de seu criador, com um nariz afinalado e uma estrutura óssea bem particular na face. A impressão vista do alto é de uma face tridimensional, com uma boca levemente aberta, lembrando objetos de arte tipicamente astecas. Parte da face foi quebrada e se perdeu.

A superfície de madeira do Idolo de Shigir é decorada com símbolos Mesolíticos e adornada com temas geométricos como divisas, intercessões, linhas paralelas, espirais e outros símbolos abstratos, nenhum dos quais passível de uma identificação até o momento. De acordo com os pesquisadores esses símbolos não seriam meramente decorativos, mas teriam um significadopara seu(s) criador(es). Alguns acreditamq ue os símbolos gravados no peito da estátua carregam uma espécie de código gravado que poderia represnetar uma das primeiras tentativas de comunicar conhecimento através de um objeto. Se essa presençãoé verdadeira, seria este, possivelmente, o primeiro código escrito no planeta, com mais de 9.500 anos de idade.


Teóricos e estudiosos há anos se dedicam a tentar compreender os padrões e linhas talhadas na madeira de uma forma meticulosa. Um trabalho dessa natureza sem dúvida demoraria meses e mesmo um artesão com ferramentas de qualidade (o que não era o caso) teria de demonstrar enorme habiliadde para talhar alguns dos símbolos mais discretos. O que realmente chama a atenção na obra é o caráter minucioso das insígnias, como se cada uma tivesse uma razão, um objetivo, uma regra. Pesquisadores supõem que a obra teha demorado anos para ser concluída, o que é notável, visto que os homens primitivos não costumavam fixar residência devotando-se a uma vida nômade. Em virtude do tamanho do ídolo dificilmente ele poderia ser carregado d eum lugar para o outro.

Uma das possibiliaddes é que o Ídolo fosse a representação de um Deus, de um Herói ou de um indivíduo ilustre cuja memória se desejava preservar. Em se tratando de uma entidade, a figura poderia ser portanto um dos primeiros deuses, venerado em uma época da qual o misticismo nos é inteiramente desconhecido. O mais curioso é se tratar de uma represnetação de conceito humano. Há conjecturas de que a figura poderia ser usada como uma espécie de totem religioso, mas não há como ter ceretza de tal suspeita.
 
O maior mistério do Ídolo, entretanto, reside no mistério das informações que alguns sugerem ele carrega. Os trechos de símbolos dispostos em padrões verticais parecem ter sido entalhados por diferentes indivíduos ao longo de um certo tempo. Alguns acreditam que o ídolo tenha passado pelas mãos de diferentes artistas e que cada qual deixou sua marca nele. Os pesquisadores mais ousados sugerem inclusive a existência de uma escrita primitiva, o que a tornaria a mais antiga da história humana. Um dos pesquisadores da Academia Russa de Ciências e do Instituto de Arqueologia, Professor Mikhail Zhilin, responsável pela estátua a considera uma obra única que encerra dentro de si um segredo ancestral:

 "Estamos diante de uma obra de arte inigualável. Ela carrega uma carga emocional gigantesca. Em termos de arte pré-histórica não existe nada tão elegante e trabalhado no mundo. Os ornamentos que recobrem a superfície são únicos. Aqueles homens pré-históricos estavam passando adiante o seu conhecimento".

Outros postulam que o Ídolo de Shigir poderia ser uma espécie de mapa primordial, que as linhas retas, paralelas e setas indicam uma lugar ou um destino final para algum tipo de jornada empreendida na aurora dos tempos. De acordo com essa teoria polêmica, certos símbolos poderiam representar montanhas, lagos, o curso de rios, ravinas e outros pontos importantes. Mas se esse é o caso, o que haveria no final desse mapa? O que esses homens desejavam identificar com tamanho cuidado?

Outra teoria é que os símbolos serviriam como uma espécie de mapa celestial, com os símbolos retratando o posicionamento de estrelas e de astros visíveis no firmamento pré-histórico. Nesse contexto, seria ainda necessário traçar os símbolos afim de compreender o que se desejava demarcar - uma conjunção? Um alinhamento?  

O ídolo passou por testes de radio-carbono na década de 1950 e sua idade foi determinada em aproximadamente 10.000 anos por técnicos da Academia de Ciências da (então) União Soviética em Moscou. Até então, acreditava-se que a estátua tinha no máximo 2.000 anos. A notável descoberta tornou o ídolo a peça mais valiosa do museu da noite para o dia.

Em 2014 o governo russo permitiu pela primeira vez na história, que pesquisadores estrangeiros, no caso alemães, tivessem acesso ao ídolo. Até então a obra jamais havia sido estudada por outros especialistas além de russos. Essa curiosidade alimentou teorias conspiratórias de que os russos desejavam guardar para si qualquer descoberta contida na estátua que pudesse representar um segredo ancestral.

Não resta dúvidas de que a estátua antropológica de Shigir é uma das obras mais notáveis, um testamento a criatividade e genialidade do homem antigo.

Atualmente, o magnífico ídolo está guardado em um sarcófago de vidro temperado preenchido com gás inerte no Museu de História de Ecaterimburgo.

Um comentário:

  1. Chama a atenção como a grandeza dessa obra estupenda, como dito no texto, um monumento à grandeza humana, foi por vezes escondida de olhos que não eram os 'adequados', devido a puras mesquinharia e desejo de poder, justamente o que o ser humano tem de mais baixo...

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