sexta-feira, 28 de agosto de 2015

TOP 5: As cinco máscaras menos conhecidas (e incomuns) de Nyarlathotep


Nyarlathotep.

O Caos Rastejante.

O Mensageiro de Azathoth.

A Alma e o Espírito dos Deuses Exteriores.

O Grande Trapaceiro.

Nyarlathotep talvez seja uma das mais fascinantes criações da obra de H.P. Lovecraft. Pergunte aos fãs hardcore dos Mitos de Cthulhu e do RPG Chamado de Cthulhu e você descobrirá que Nyarlathotep figura na lista dos favoritos, talvez no topo dela. Tudo bem, o "Grande Cthulhu" está no título e pode ocupar a parte mais alta do pódium dos grandes horrores cósmicos, mas cabe a Nyarlathotep um lugar de destaque.

Não é por acaso que algumas das mais importantes campanhas envolvam justamente os planos malévolos do bom e velho Caos Rastejante. O sujeito é tão influente na mitologia lovecraftiana que suas manifestações (ou avatares) aparecem em inúmeras estórias. E talvez seja justamente isso o que torna Nyarlathotep tão especial: o fato dele possuir inúmeras formas.

Chamadas de Máscaras pelos cultistas fanáticos, essas faces de Nyarlathotep variam enormemente e em certos momentos se confundem com o folclore de diferentes povos e lugares. Os avatares de Nyarlathotep, diferente dos horrores mais convencionais dos Mitos estão quase sempre próximos da humanidade: tentando, cobiçando, provocando... eles interagem com os homens, diferente daqueles que sequer percebem a presença dos seres humanos - tratados como formigas ou meras bactérias.

Mas Nyarlathotep não... ele se importa em corromper, espalhar a maldade, a vilania e semear o caos por onde quer que passe. O grande trapaceiro é inegavelmente um humanista. 

Ele estava com a humanidade no momento em que ela surgiu e provavelmente estará junto dela no momento em que ela deixar de existir (possivelmente quando Ele cansar de brincar). 

Nós estamos acostumados a temer e respeitar alguns avatares de Nyarlathotep que se tornaram extremamente populares ao longo dos anos: O Homem Negro (The Black Man), a Mulher Inchada (The Bloated Woman), O Errante das Trevas (The Dweller in Darkness), o Deus da Língua Sangrenta (The God of the Bloody Tongue), o Assombro nas Trevas (The Haunter in the Dark), o Faraó Negro (The Black Pharaoh), o Lamuriante Contorcido (The Wailing Writher)... apenas para citar alguns que foram detalhados no artigo a respeito das cinco máscaras mais populares de Nyarlathotep.

[Leia aqui sobre As Cinco mais terríveis Máscaras de Nyarlathotep.]

Neste artigo, fazemos o caminho inverso e buscamos relacionar as cinco máscaras menos conhecidas e mais incomuns do Caos Rastejante. 

Sem mais delongas, vamos a elas:

5 - O PORTADOR DAS PRAGAS (The Bringer of Pests)



Essa máscara de Nyarlathotep não é exatamente desconhecida, afinal, ela é citada diretamente em um dos livros mais importantes e influentes de todos os tempos. O Portador das Pragas figura no Livro do Exodus, na Bíblia. Ele é uma força devastadora libertada pela fúria do Deus de Israel, impingida sobre as terras e o povo do Egito. Ela é a própria essência das lendárias dez pragas que devastaram a outrora orgulhosa Nação do Nilo.

Segundo o livro do Antigo Testamento, as pragas foram lançadas sobre o Egito como uma forma de validar o poder do Deus único e verdadeiro sobre os Deuses falsos do Egito Antigo. E como uma forma de persuadir o Faraó a libertar o povo de Israel que era mantido em regime de escravidão.

A grande questão é: se o Portador das Pestes é na verdade um avatar de Nyarlathotep, o que teria motivado o Caos Rastejante a desencadear sobre o Egito tamanha vingança? Não é o próprio Egito a nação no mundo mais alinhavada aos preceitos de Nyarlathotep? Pelo amor de Cthulhu, olhe o nome dele... quer coisa mais egípcia do que Ny-A-lar-Ho-Tep?

Bem, ao que tudo indica, o povo do Egito durante a Décima Segunda Dinastia parecia incomodar o velho Nyarly. Talvez ele estivesse cansado de se ver associado a Terra dos Faraós e escolheu varrer a nação do mapa submetendo todos a um verdadeiro festival de calamidades (Calamity Palooza). Quem sabe, ele estivesse tentando sedimentar o surgimento de uma nova fé que se espalharia por todo o mundo e nos séculos seguintes serviria como a espinha dorsal da religião ocidental. Entretanto, o mais provável é que Nyarlathotep estivesse entendiado... e assim, assumindo a forma de uma praga viva, deu início a um dos capítulos mais sangrentos da Bíblia.

Nyarlathotep estava... #chateado.

Segundo a Enciclopédia Cthulhiana, essa máscara em particular não possui um culto nos dias atuais (Ufa!). Ela não é exatamente popular, visto que não concede qualquer benefício ou favor aos cultistas, além de doses cavalares de miséria e sofrimento. Não é à toa que Nyarlathotep não a utilize frequentemente, pois quando o faz o circo literalmente pega fogo... para se ter uma idéia, a última vez que essa coisa andou livremente pela terra, escreveu-se um livro inteiro a respeito que ainda é popular milênios mais tarde. 

Descrito como uma monumental nuvem de gafanhotos cuspidores (uma das espécies mais devastadoras desses insetos), o Portador das Pragas faz juz ao seu nome pouco agradável. Grande o bastante para engolir uma cidade, os gafanhotos parecem intermináveis, eles cobrem os céus e obscurecem o próprio sol, transformando o dia em uma noite barulhenta com o ressoar de milhões de asas e quelíceras famintas. Capaz de devastação sem igual, no rastro do Portador da Praga não resta nada a não ser campos desertos, árvores depredadas, animais semi-devorados e ossos humanos limpos de toda carne.

Alternativamente, o Portador das Pragas é capaz de assumir uma forma humanóide gigante, utilizando para isso a massa de milhões de gafanhotos reunidos. A forma se assemelha a um gigante que marcha pelo lugar escolhido devastando tudo em seu caminho. Ele fala com o som produzido pelo canto dos gafanhotos e sua voz é como um trovão zunindo à distância. Não bastasse a devastação dos gafanhotos, supõe-se que a entidade pode deflagrar as demais pragas bíblicas, que para os amigos que faltaram ou não lembram da Escola Dominical são as seguintes: água em sangue, praga de sapos, praga de piolhos, praga de moscas, morte dos rebanhos, furúnculos, tempestade de raios, (os já citados) gafanhotos, escuridão e a morte dos primogênitos.

Uma sacada fantástica é a associação do Portador das Pragas a esse trecho do filme A Múmia (The Mummy) onde os intrépidos heróis conseguem a façanha de invocar a entidade lendo um trecho do Livro dos Mortos. Esses investigadores...


4 - O HOMEM VERDE (The Green Man)



Mas calma... Nyarlathotep nem sempre está de tão mau humor.

Por vezes, ele pode assumir a forma de uma entidade pertencente ao Folclore Celta, uma figura reverenciada pelos povos pagãos e que até hoje inspira algumas meninas wiccan a rodopiar em torno de fogueiras crepitando.

Estamos falando é claro, do Homem Verde. Não, não se trata de um figurante da trilogia Senhor dos Anéis, ou de um Ente de Dungeons and Dragons. A lenda do Homem Verde é muito antiga e associada intimamente aos povos celtas, sendo também comum entre as tribos saxãs. 

O mito do "Jack in the Green" provavelmente nasceu nas Ilhas Britânicas, sendo assimilado por vários povos que vieram a ocupar o lugar. Essa era uma entidade que simbolizava o poder da natureza, a energia da floresta, a capaciadde curativa e renovadora do solo...

Com todos esses atributos aparentemente benignos, é difícil imaginar Nyarlathotep usando esse avatar. Mas ao que tudo indica, essa Máscara não é especialmente maligna ou destrutiva. Para ser absolutamente sincero, o Homem Verde talvez seja o avatar de Nyarlathotep mais inofensivo. Ele não busca a aniquilação da humanidade, seu sofrimento ou sua agonia, tudo que, via de regra, desperta sua alegria. Pelo contrário, o Homem Verde é uma força invocada em rituais antigos com o propósito de renovar os laços entre o homem e a natureza. Sim, é isso mesmo, além de tudo, ele é ecologicamente correto!

Talvez esse seja o grande truque desse avatar: mover a humanidade em uma nova era de paz e amor, e relacionamento íntimo com a natureza... fazer o homem abandonar o lampejo de brilhantismo que gera indústria, modernidade e progresso. Se isso é verdade, o Homem Verde ainda não conseguiu atingir a sua meta e talvez por isso, o culto tenha ficado esquecido por tanto tempo. Redescoberto no último século por indivíduos dispostos a retomar os preceitos pagãos, quem pode dizer se ele não terá sucesso na sua empreitada.

O Homem Verde é descrito como uma enorme criatura humanóide composta de folhas, vinhas e plantas que lhe dão forma. A criatura só é vista em "bosques sagrados" onde surge diante de Grandes Carvalhos, Pedras milenares e arcos de plantas. Com seu surgimento, os devotos cantam e dançam, tentando agradá-lo e assim obter seu favor. Se satisfeito com as homenagens, o Homem Verde oferece a renovação do solo, uma boa safra ou quem sabe uma comunhão com a natureza. O Homem Verde pode aceitar sacrifícios, mas estes não carregam a carga negativa associada a palavra "sacrifício". As "vítimas" são voluntárias e segundo os ritos, se submetem em troca do bem estar de toda comunidade. A morte não é produzida com sofrimento, mas de forma rápida e o menos traumática possível. Em tempos antigos era uma honra se tornar o sacrifício do Homem Verde.

Sabe-se que Nyarlathotep ao assumir essa máscara pode assumir outras formas, mas nenhuma delas é especialmente assustadora. Animais feitos de plantas, enormes árvores com faces humanas e grandes frutas com feições humanas são algumas das opções disponíveis.

3 - A CABRA COM MUITAS PERNAS (Many-Legged Goat)




Próxima máscara. A Cabra com muitas pernas!

What a hell dude...

Quando a gente fala de cabra, em geral, pensamos em Shub-Niggurath e nas suas crianças, mas parece que Nyarlathotep estava interessado em invadir o pedaço da cabra negra.

Essa entidade obscura também não possui um culto conhecido, embora possa ter havido um culto em sua homenagem em algum momento da história humana. Alguns estudiosos tentam relacionar a Cabra com Muitas Pernas com o mito do Carneiro Dourado, acreditando ter havido alguma corruptela ou erro de tradução. Mas essas suposições não podem ser examinadas, a não ser que documentos nesse sentido sejam encontrados.

Enquanto isso não acontece, ficamos com a pergunta: o que diabos é esse avatar? Para que ele existe? O que ele simboliza?

Perguntas obviamente pertinentes, mas as respostas não são tão fáceis. 

A Cabra com Muitas Pernas só é conhecida através de passagens contidas em alguns livros esotéricos e mesmo assim sua existência é bastante contestada. Uma das fontes cita que esse ser é uma divindade rural, que se manifesta muito raramente, nascendo de uma cabra que gera uma cria com multiplicidade de membros. Um texto sugere que o animal em questão possui um balido que se assemelha ao choro de uma criança, de uma mulher jovem ou de uma viúva (variando de acordo com a fonte consultada), capaz de induzir as pessoas a sofrer alucinações e experimentar visões apocalípticas. Uma vez nascida dessa maneira, a Cabra não vive por muito tempo, ela acaba morrendo, mas antes profere um balido longo e aterrorizante que ocasiona surtos de paranóia, terror e melancolia. Um documento existente na Biblioteca de Dusseldorf, na Alemanha, menciona um suposto caso ocorrido no século XV, no qual o nascimento de uma Cabra com Muitas Pernas, desencadeou uma epidemia de loucura em um pequeno vilarejo no Vale do Reno.

Outra lenda a respeito da Cabra, menciona que tal criatura nasceria de uma mulher e teria as feições de uma cabra com o corpo mais ou menos humanóide, nos moldes das entidades capricornianas da Grécia Antiga. Essa criatura seria um avatar de Nyarlathotep, ainda que mortal e não especificamente maligno. A função do avatar nessa forma seria acumular conhecimento e compartilhar magias e conhecimento místico entre aqueles que decidissem se tornar seus seguidores. Não se sabe de nenhum incidente desse tipo já registrado, e para alguns essa versão da lenda não passa uma fantasia sem qualquer fundamento.

Mas quem pode dizer ao certo...      

2 - TICK TOC MAN (Tick Tock Man) 


Esse é outro avatar bizarro de Nyarlathotep, de certa fora o extremo oposto do Homem Verde.

Para muitos, essa manifestação só começou a aparecer nos últimos dois séculos, de modo que ainda se sabe muito pouco a respeito dela. É possível que ela seja uma das máscaras mais contemporâneas de Nyarlathotep, surgida a partir do advento da indústria, da automoção e do desenvolvimento mecânico. Alguns teóricos no entanto, defendem que o Tick Tock Man é bem mais antigo, sendo conhecido na Arábia do século XV e na Europa do século XVII quando ele aparecia diante de construtores de relógios que funcionavam por dispositivos de mola e engrenagens intrincadas.

Um documento existente na Universidade de Berna, na Suiça alude para a estória de um relojoeiro no século XVII responsável por construir pequenas maravilhas mecânicas extremamente precisas em sua oficina. Ele teria construído um autômato em tamanho humano que deslumbrava todos que testemunhavam seu funcionamento. Denunciado publicamente por práticas de feitiçaria, o relojoeiro foi preso e o autômato destruído. Rumores mencionando que o autômato fora visto andando sozinho se espalharam pelos cantões suíços. Alguns supunham que o autômato teria adquirido vida própria e consciência tamanha sua perfeição. Outros no entanto, defendem que Nyarlathotep teria simplesmente dominado o autômato e o transformado em uma de suas máscaras - o obscuro Tick Tock Man.

Não se deixe enganar peolo nome simpático... o Tick Tock Man é algo bastante bizarro.


Para começar ele não é uma criatura viva, no sentido literal. O Avatar assume a forma de um ser artificial, composto de molas, roldanas, engrenagens e mais atualmente fiação, transistores e servo-motores. Seu corpo é uma síntese perfeita de homem e máquina. Hastes de metal servem como ossos, placas metálicas são sua carne, fios fazem as vezes de veias e capilares, enquanto fluídos oleosos são o equivalente ao seu sangue. Essa casca metálica é habitada por uma inteligência artificial extremamente avançada. O Tick Tock Man em suas primeiras aparições parecia funcionar apenas mecanicamente, mas há indícios de que mais recentemente ele possa funcionar com carvão, vapor ou mais comumente eletricidade. Em algumas descrições, a entidade pode utilizar um polímero de borracha moldada que imita a pele humana, se disfarçando dessa forma para assim andar entre os homens sem chamar tanta atenção.


O Tick Tock Men, assim como a maioria das formas de Nyarlathotep existe com o único propósito de semar o Caos e a Loucura. Ele costuma se aproximar de cientistas e concede a eles através de sonhos a inspiração necessária para a construção de um corpo mecânico para onde ele transfere sua essência. Essa forma pode variar muito de acordo com a época e os recursos disponíveis: um cientista vitoriano pode inventar um autômato movido a vapor, enquanto um engenheiro na Tóquio dos dias atuais pode construir um computador extremamente avançado. Uma vez assumindo essa forma, o Tick Tock Man fornece ao seu "criador" ideias e ajuda na realização de cálculos complexos que eventualmente levam a saltos de lógica notáveis. 

Um dos objetivos principais dele é fornecer a cientistas planos para armas devastadoras e outras tecnologias perigosas. Acredita-se que tenha sido uma manifestação do Tick Tock Men quem concedeu a inspiração para a criação de armas ao longo das eras, desde as armas de cerco, até a metralhadora, passando pelos caças até o míssil inter-continental. Teóricos dos Mythos imaginam qual será a próxima inovação tecnológica patrocinada por esse avatar de Nyarlathotep. Alguns apostam na criação de máquinas inteligentes que eventualmente acabarão por sobrepujar a própria raça humana.  

1 - A EQUAÇÃO KRUSCHTYA (Kruschtya Equation)




E chegamos ao Top da lista de avatares realmente estranhos de Nyarlathotep.

Nem precisei ir muito longe para escolher a mais estranha e incomum Máscara utilizada pelo Caos Rastejante. Sem dúvida, ninguém tira o posto da Equação Kruschtya.

A Equação não é apenas um complexo teorema de matemática quântica que quando solucionado serve para invocar Nyarlathotep. Ele é muito mais do que isso. A própria equação é um avatar por si só. O teorema incrivelmente sofisticado está muito além da compreensão da maioria das mentes mortais ainda que seja conhecido por raças alienígenas como os Sham, os Mi-Go e os Yithians. Mesmo aqueles dotados de extrema genialidade e brilhantismo matemático levam centenas de horas de trabalho árduo para decifrar as fórmulas e chegar a uma conclusão. Aqueles que mergulham nessa complexa tarefa muitas vezes acabam adquirindo uma obseção compulsiva e são consumidos pelo seu próprio trabalho, perdendo gradualmente a razão. Matemáticos brilhantes se deixaram contaminar pela Equação Kruschtya e acabaram enlouquecendo por completo em suas tentativas de obter uma solução.

Conhecida apenas por alguns pequenos círculos fechados, a Equação é uma espécie de lenda urbana, discutida por acadêmicos e por estudantes de matemática pura em busca de um desafio monumental. Na década de 1960, a Academia de Matemática de Moscou possuía um time especializado em tentar desvendar os mistérios da Equação Kruschtya. Há boatos que Dmitri Russalkin, um brilhante matemático soviético tenha conseguido chegar ao fim da Equação. Contudo, não se sabe ao certo pois Russalkin desapareceu depois que a Academia foi destruída em um bizarro terremoto que estranhamente afetou apenas as fundações desse prédio. No auge da Guerra Fria, espiões norte-americanos se apoderaram de um microfilme contendo parte da solução para a Equação, supostamente resultado do trabalho de um cientista húngaro à serviço dos nazistas na Segunda Guerra. Um grupo de matemáticos foi reunido para a tarefa de desvendar a equação, mas os resultados não foram os esperados. Três cientistas desapareceram do complexo, localizado em Los Alamos e os registros da pesquisas foram destruídos.

As pessoas que se envolvem com a Equação Kruschtya acabam atraindo a atenção de Nyarlathotep, coisa que nunca é agradável. O Caos Rastejante preenche a mente dos pesquisadores com noções bizarras e conhecimento alienígenas que não pertencem a ele. O indivíduo passa a falar em idiomas estranhos e desconhecidos, tem estranhas inspirações e menciona acontecimentos ou fatos que não aconteceram (ou que ainda estão para acontecer). Sua linguagem se torna cada vez menos coerente a medida que seu cérebro processa cada vez mais rápido as informações. O indivíduo não consegue parar de trabalhar, sua mente se volta inteiramente para a resolução, enquanto seu corpo se deteriora lentamente pela falta de descanso, exercício e mesmo alimento.


Por fim, a Equação Kruschtya cobra o alto preço pela sua resolução. No instante que a solução é contemplada, a mente do pesquisador se torna uma com Nyarlathotep e ele passa a compreender os segredos mais profundos do Universo. Tamanho acúmulo de informações é devastador e o indivíduo acaba por se tornar, ele mesmo, um avatar do Caos Rastejante.

Pouca coisa pode ser feita para salvar alguém que decifra a Equação Kruschtya. Tais indivíduos continuam vivos, mas sua mente se perde, cooptada por um saber absoluto dos segredos cósmicos, algo que nenhum ser humano é capaz de absorver e ao mesmo tempo preservar a sanidade. Alguém com tamanho conhecimento se torna um perigo em potencial pois suas revelações são devastadoras. Matar o indivíduo libera Nyarlathotep que parte de maneira dramática, assumindo alguma forma monstruosa no processo. Não há nenhuma forma conhecida de apagar esse conhecimento ou restaurar a mente de quem resolve a  Equação Kruschtya. Tetsuo Susiato, um brilhante matemático japonês, que segundo alguns foi o último pesquisador a resolver a Equação (em meados de 2005), vive atualmente em um sanatório para doentes mentais em Nagoya.

Há rumores que o físico Stephen Hawkins chegou muito perto de resolver a Equação, o que desencadeou a sua condição física confundida com um caso incomum de Esclerose Lateral Amiotrópica (ELA). Acredita-se que Hawkins esteja envolvido em um programa que busca compartimentalizar o estudo da Equação afim de não destruir a mente dos pesquisadores no processo. Pelo programa, cada grupo estuda apenas uma parte do teorema. Até o momento, o programa não teve sucesso, mas os trabalhos prosseguem desde meados dos anos 1980.

Bem é isso...

Cinco Máscaras que nos fazem pensar a respeito da natureza de Nyarlathotep.

7 comentários:

  1. Lol, nunca tinha reparado a referência ao lovercraft no filme a Múmia
    Belo post

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Bom post. o filme a mumia pode inspirar uma aventura de rastro/chamado de cthulhu, tem ordens ou cultos secretas, uma criatura de poder incompreensivel egito antigo

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  4. Ótimo post, dá vontade de narrar/jogar um rastro/chamado na guerra fria com espionagem atrás da resposta da Kruschtya ou na era vitoriana atrás do Tick-Toc-Man e fazer o cruzamento bíblico com a Praga, é muito interessante se tem religiosos em qualquer grupo.

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    1. Realmente, é algo muito legal mesclar história/religião com a história ficticia inventada por você
      um exemplo é AC

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  5. pergunta porque quando um humano esta no corpo de um membro da grande raça de yith ele nao fica maluco mais quando ta no corpo humano enlouquece

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  6. E quanto ao Randall Flagg, um dos melhores vilões do Stephen King? Ele volta e meia aparece nos livros do King, às vezes como antagonista princiapal, às vezes fazendo apenas uma ponta, outras vezes aparecendo apenas em referências, cada vez com uma aparência diferente, mas sempre com o mesmo papel de agente do caos (dizem até que ele é o misterioso "Aquele que anda por detrás das fileiras", uma entidade maligna cultuada pelas crianças do milharal, do filme "Colheita Maldita", baseada no conto "Children of the Corn", também do King). Em "A Dança da Morte", o primeiro livro importante em que ele aparece, um dos personagens o acusa de ser Nyarlathotep, e ele fica profundamente irritado com esta acusação. Não seria Randall Flagg uma das máscaras de Nyarlathotep?

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