quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Werwolf Komando em Delta Green - Operações para deter nazistas no pós-guerra


Semana passada coloquei no ar um artigo sobre o Werwolf KommandoEu usei essa organização em uma campanha curta de Delta Green que mestrei muitos anos atrás.

Na minha concepção, a Organização paramilitar funcionava nas mesmas bases do pós-guerra. Oficialmente era um comando especial treinado em táticas guerrilha urbana, cujo objetivo era infernizar as forças de ocupação e tornar a tarefa de ocupação mais complicada. Mas além de sabotagem e assassinato, os meus Werwolf Kommandos tinham uma missão secreta. Eles se dedicavam a recolher artefatos dos Mythos Antigos que haviam sido utilizados pelos nazistas nos dias finais e dramáticos da Guerra. Na minha campanha, Hitler ordenou que alguns artefatos especialmente poderosos fossem enviados para Berlim para que seus poderes pudessem ser usados contra o Exército Vermelho que estava próximo. A última linha de defesa do Führer seriam os Arcanos Negros da Thulegesellshaft, a notoriamente infame Sociedade Thule que havia se especializado durante a Guerra em usar o conhecimento dos Mythos de Cthulhu como armas. A terrível Karotechia, uma subdivisão da Thule também foi convocada para prestar o memso apoio, contudo, os seus líderes antevando o desastre estavam gradualmente se desligando do front e preparando sua fuga e sobreviovência no pós guerra e na nova ordem mundial que viria a surgir. 

Anos de ocupação na Europa haviam concedido aos nazistas toneladas de artefatos coletados em universidades, museus e bibliotecas de Paris até Praga. As propriedades de muitos desses artefatos permaneciam desconhecidas, mas os nazistas precisavam deles para montar seu último bastião. 

A operação para enviar os itens foi complicada. Nem todos os artefatos chegaram ao seu destino final. Um trem transportando livros que eram mantidos em uma base secreta da Thule em Berlin foi sabotado e jamais chegou ao seu destino. Ao menos dois agentes de campo foram detidos por membros da Divisão P e "aliviados" de sua carga. Feiticeiros da sociedade prevendo que nem mesmo o poder desses itens faria frente ao avanço soviético, que estava às portas de Berlim, trataram de roubar os tesouros para si mesmos. Ollaf Bitterrich, um dos chefes da Karotechia supostamente fugiu para a América do Sul carregando consigo um vasto acervo de Tomos com conhecimento profano. 

Mas outros membros da Thule, fiéis até o fim, fizeram uso dos artefatos, invocando horrores medonhos e abominações dos recessos do tempo e espaço. Os soviéticos, no entanto, contavam com seus próprios especialistas no mundo oculto e a batalha no campo arcano foi tão dramática quanto a que era travada quarteirão a quarteirão de Berlim. Hordas de Andarilhos Dimensionais foram invocados, Caçadores Voadores serviram de montaria para bruxos, magias negras foram empregadas para destruir carne, liquefazer ossos e ferver o sangue ainda nas veias. Horrores sem paralelo escaparam através de portais dimensionais e foram lançados sobre soldados.

No fim, muitos artefatos, livros e objetos malditos acabaram abandonados em bunkers ou nas ruínas fumegantes. Boa parte deles foram confiscados pelos soviéticos após a sangrenta Conquista de Berlim, arrancados das mãos dos arcanos negros. 

O Delta Green tomou conhecimento da natureza potencialmente perigosa desses artefatos através de prisioneiros nazistas. Estes fizeram acordos com agentes de campo para revelar a exata localização de certos itens valiosos ainda na Alemanha. 


Foi nesse ponto que a campanha teve início. Agentes do Delta Green (os personagens dos jogadores), foram enviados na qualidade de especialistas para fazer a coleta dos artefatos perdidos. A missão recebeu o codinome "Operation Clean Sweep" (Operação Varredura).

Infiltrar-se na Berlim devastada não foi fácil, ainda mais que os agentes não podiam revelar suas intenções aos soviéticos - que possuíam sua própria agenda. Eles foram escoltados pela 15a divisão de paraquedistas norte americana, e testemunharam a liberação do campo de concentração de Belsen, onde tiveram um primeiro contato com o horror perpetrado pelos nazistas. Era Julho de 1945 e a guerra na Europa acabara de terminar.

Uma vez chegando a Berlim, a solução foi contar com membros do submundo da cidade, contrabandistas e criminosos interessados em lucrar com o caos que se seguiu a derrota nazista e instalação do Exército Vermelho. A cidade ainda estava perigosa, comandos continuavam lutando nas ruas, patrulhas soviéticas haviam decretado um toque de recolher e pessoas nas ruas eram alvejadas sem piedade. Haviam corpos insepultos em meio aos detritos e rumores de coisas horrendas espreitando nos porões da cidade.

Apesar do risco de lidar com os comunistas, o maior obstáculo para obter os artefatos perdidos eram justamente os membros do Werwolf Kommando. Entre os membros mais temidos, o Capitão Karl Hans Dietrich, um oficial da Wafen-SS, membro da Sociedade Thule e feiticeiro devotado a Yog-Sothoth continuava na cidade em algum esconderijo. Dietrich se tornou, ao longo da campanha o mais implacável inimigo dos investigadores, sempre um passo à frente dos agentes. Dietrich possuía farto conhecimento dos Mythos de Cthulhu, muitos recursos e aliados valiosos. Além disso, ele não se importava de invocar criaturas para cumprir suas missões e destruir seus inimigos. Numa ocasião ele invocou um Cthonian para escavar os bunkers mais profundos de Berlim em busca de uma biblioteca lendária. 

Outro fator complicador para os personagens foi que decidi levar ao pé da letra, o nome "Werwolf Kommando". Na minha campanha, os agentes eram literalmente lobisomens, capazes de se transformar em feras assassinas usando uma fórmula criada pelos cientistas nazistas. A cara dos jogadores na mesa, quando um dos agentes começou a uivar e se transformar em um monstro selvagem foi impagável. Uma das sequências mais bacanas da campanha foi a negociação para adquirir objetos de prata e derreter tudo para fazer balas.

No curso da Campanha o grupo conseguiu reaver um dispositivo dimensional que estava em um laboratório, obteve o lendário quarto prego usado na crucificação de Cristo e recuperou uma velha toráh judaica contendo a descrição do ritual de construção do Golem de Praga. Infelizmente eles perderam para os soviéticos um projetor de nevoeiro construído pelos nazistas a partir de um original fabricado pelos Mi-go

Na aventura mais bacanas da campanha (e uma das melhores que já mestrei), chamada "Operação Sledgehammer" (Operação Marreta), os investigadores tiveram de varrer o submundo da Dusseldorf, negociando com contrabandistas e o crime organizado (inclusive o notório assassino, conhecido como Vampiro de Dusseldorf) por um exemplar do Necronomicon que era disputado por agentes Werwolf e da NKVD (organização que daria origem a KGB). No final dramático dessa aventura, um dos investigadores, o professor da Columbia Jason Cartwright abraçou o livro profano e se lançou contra três lobisomens segurando uma granada sem pino. E lá se foi o livro que todos desejavam em uma explosão.

No final apoteótico, durante a missão codinome "Operação Deep Impact" (Impacto Profundo) o grupo teve que escapar do bunker, com um Shoggoth nos seus calcanhares. O mais legal é que Dietrich também conseguiu escapar e sobreviveu à campanha. De fato, no epílogo, o vilão acabou rumando para uma base secreta nazista na Costa do Oriente Médio à bordo de um submarino. Nessa mesma ilha, anos antes, se deu a abertura da lendária Arca da Aliança ocasião em que todos os envolvidos, salvo um certo arqueólogo americano e sua companheira, morreram. Após o ocorrido, os nazistas haviam secretamente construído um grande depósito chamado "Legado Thule" na ilha, onde ainda eram mantidos tesouros dos Mythos acumulados pelos nazistas durante a Guerra e transferidos para lá à mando do Alto Comando alemão. Quando eu descrevi que eles tinham em seu poder não apenas uma, mas quatro edições do Necronomicon, eu pude sentir as ondas de raiva dos jogadores ao redor da mesa.

O grupo teve que esperar 15 anos pela continuação da estória...

Ainda dentro de Delta Green, a estória se passava em 1959, com os investigadores descobrindo a existência do Legado Thule. Foi bem interessante, pois dois jogadores usaram seus personagens já mais velhos, enquanto outro optou por criar o filho de seu personagem original. Enfim, o grupo conseguiu ajustar as contas com o Capitão Dietrich (ainda jovem e mais maligno do que nunca). Descobriram ainda um plano macabro já em andamento que visava a Ressurreição do Führer através dos Sais Perfeitos. Quatro cópias perfeitas de Adolf Hitler estavam vivas na América do Sul, ocupando posições importantes nos governos e preparados para assumir o poder após golpes de estado que iriam instituir ditaduras .  


A Campanha continuou com uma aventura chamada "Operation Boys from Brazil" (Operação Meninos do Brasil), na qual o Delta Green enviou um grupo de investigadores para matar a versão de Hitler que vivia na Argentina sob a proteção da Karotechia e de simpatizantes portenhos. Um dos investigadores acabou sendo vítima de um atentado nas ruas de Buenos Aires. Dois Dimensional Shamblers o capturaram e levaram para outra dimensão. Em teoria ele apareceria novamente em uma missão futura, hipnotizado e coptado pela Karotechia mas a campanha parou nesse ponto.

Ah, sim... o Hitler argentino foi morto com uma bomba colocada em sua limousine. 

Bons tempos dessa campanha...

2 comentários:

  1. Achei a ideia da campanha boa, com muitas coisas legais, mas talvez tenha elementos sobrenaturais em excesso. Uma batalha de seres multidimensionais, tomos de Mythos, tecnologia Mi-Go e nazistas feiticeiros lobisomens?

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