quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Top 5: Os Maiores Heróis Lovecraftianos - Uma lista de personagens que enfrentaram os Mitos


Originalmente publicado em 28 de maio de 2010

Anteriormente enumerei em um Top 5 os principais Vilões da Literatura de H.P. Lovecraft.

Convenhamos, quando se fala de Lovecraft e de seus contos é mais fácil citar os "caras maus" do que dos mocinhos.

De certa forma os heróis de Lovecraft seguem um mesmo arquétipo que inclui entre as características marcantes o senso de dever, o conhecimento acadêmico e o comprometimento com a causa da humanidade.

Poucos são os heróis de Lovecraft que se destacam pelo senso de aventura e bravura, apenas Randolph Carter parece incluído nesse grupo. Os protagonistas em geral são estudiosos, profissionais comprometidos com suas obrigações, pesquisadores ou indivíduos arrastados pelas circunstâncias para uma investigação inexplicável cujas consequências não raramente são dramáticas para sua própria existência.

Heróis Lovecraftianos na maioria das vezes tem um profundo senso de certo e errado e não fogem ao chamado para enfrentar as criaturas dos Mitos mesmo sabendo dos riscos inerentes para sua integridade física e mental.

Talvez sejam esses indivíduos aqueles que mais verdadeiramente devam ser chamados de heróis, pois munidos apenas com sua coragem enfrentam forças de poder incalculável.

Vejamos então a lista:

Quinto Lugar: 

Albert Wilmarth
Acadêmico e folclorista envolvido com um estranho correspondente.

Conto: "Um Sussurro nas Trevas" (Whisperer in the Dark"- 1930)

Descrito como um notável folclorista e professor de inglês na Universidade Miskatonic, Wilmarth é o típico herói lovecraftiano: um acadêmico interessado em explorar os campos da ciência além do que é considerado convencional. É ele quem narra a estória em primeira pessoa, descrevendo os incríveis eventos envolvendo a atividade de criaturas vindas das estrelas.

Em Sussurro nas Trevas, Wilmarth se envolve em um controverso debate a respeito de formas de vida alienígenas que teriam sido avistadas após as enchentes que varreram o estado de Vermont em 1927. O professor reluta em aceitar tais teorias acreditando que elas não passam de meras superstições. Ele conduz um estudo sobre o folclore da região rico em lendas sobre monstros e criaturas bizarras.

A tese de Wilmarth atrai a atenção de Henry Akeley, um homem que reside nas Florestas de Vermont e que afirma saber a origem de certas lendas. Os dois se tornam companheiros de correspondência e aos poucos a narrativa de Akeley, relatando as atividades de seres bizarros e de seus agentes, começa a convencer o professor de que algo sinistro está realmente ocorrendo.

Wimarth acaba aceitando o convite para viajar até Vermont onde faz uma descoberta chocante que o obriga a fugir através da floresta em desespero.

O professor é mencionado brevemente em "Nas Montanhas da Loucura", quando o narrador comenta que "preferia não ter conversado tanto com o desagradável folclorista Wilmarth na Universidade Miskatonic". Mais adiante na mesma estória, ele se refere às "loucas estórias a respeito de coisas do espaço contadas por um colega do departamento de língua inglesa".

Assim como ocorre com muitos protagonistas de Lovecraft, Wilmarth inicia o conto como um cético, um homem de ciência que luta contra sua própria razão para distinguir o real do imaginário.

Após os eventos em Vermont, Wilmarth continuou investigando os Mitos ancestrais, empreendendo longas viagens para visitar lugares e conversar com testemunhas em potencial. Horrorizado pelas suas descobertas e experiências no campo dos estudos dos Mitos, Wilmarth adoeceu e veio a falecer em 1937. Sua vasta coleção sobre folclore foi doada após sua morte para o acervo da Biblioteca da Universidade Miskatonic.

Quarto Lugar: 

Thomas F. Malone 
Detetive da Polícia de Nova York


Conto: "O Horror em Red Hook" (The Horror in Red Hook - 1927)

Malone é o narrador de "Horror at Red Hook" um dos mais polêmicos contos de Lovecraft.

Red Hook é considerado uma estória menor, com elementos explícitos de racismo e intolerância que renderam a Lovecraft uma desagradável fama. Mesmo assim eu considero Red Hook um ótimo conto, um dos únicos que se passa totalmente em ambiente urbano, cheio de claustrofobia e paranóia.

Malone é um imigrante que deixou sua pátria natal, a Irlanda, em busca de uma vida melhor no Novo Mundo. Ele se torna um detetive de polícia no perigoso distrito de Red Hook, um caldeirão étnico em Nova York infestado por crime e violência.

Lovecraft insiste que todos os seus heróis sejam homens de letras, por isso, mesmo o detetive de polícia possui formação superior pela Universidade de Dublin. O autor vai mais além, não apenas Malone é um homem culto e versado nos clássicos, como também possui um legítimo interesse no mundo oculto. Lovecraft o descreve como um cético, mas com um olho clínico para as coisas estranhas do mundo, característica que torna Malone apto a investigar os misteriosos eventos em Red Hook.

Na época do conto, Malone tem 42 anos e passa a comandar uma força tarefa que busca desvendar desaparecimento na calada da noite. Durante uma de suas ações, Malone é soterrado em um desmoronamento e por pouco não termina morto como muitos de seus colegas. Após os terríveis acontecimentos ele recebe uma dispensa, mas como o próprio Malone comenta, "Red Hook jamais muda" deixando claro que o horror no perigoso distrito não havia sido vencido.

Infelizmente Thomas Malone não é citado em nenhum outro conto, supostamente ele teria se aposentado e retornado a sua pátria natal.

Terceiro Lugar:

Inspetor John Raymond Legrasse
Detetive da polícia de Nova Orleans

Conto: "O Chamado de Cthulhu" (The Call of Cthulhu - 1928)

Legrasse era Inspetor Chefe do Departamento de Polícia de Nova Orleans em 1907, ano em que um culto de natureza aterradora instaurou um regime de horror nas profundezas dos pântanos da Louisiana.

Descrito por Lovecraft como "um homem de meia-idade que não chamava a atenção", Legrasse descobriu muito pouco a respeito do culto. No comando de uma diligência armada ele conseguiu capturar uma multidão de cultistas dementes que realizavam uma algazarra regada a sacrifícios no bayou. Inadvertidamente, Legrasse havia descoberto um enorme culto devotado ao Grande Cthulhu, uma das mais terríveis entidades dos Mitos Ancestrais.

Em 1909 Legrasse compareceu a uma reunião da Sociedade Americana de Arqueologia levando consigo um pequeno ídolo obtido durante a batida policial dois anos antes. A estatueta ajudou a provar a existência de um culto devotado a Cthulhu ativo em vários lugares do mundo.

Lovecraft não descreveu o passado de Legrasse, de modo que coube a outros escritores preencher as lacunas e descrever as investigações subsequentes do inspetor. C.J. Henderson escreveu vários contos tendo Legrasse como protagonista. Nessa série intitulada "The Tales of Inspector Legrasse", o detetive continuou se dedicando a confrontar o culto de Cthulhu na Louisiana. Apavorado após uma experiência mística, Legrasse teria se afastado da sociedade vivendo em isolamento por quinze anos período em que estudou antigos tomos com conhecimento dos Mitos. Ressurgindo para enfrentar uma infestação de Deep Ones em sua amada Nova Orleans, ele teria depois partido para o coração da Ásia a fim de enfrentar cultistas de Cthulhu no Nepal.

Embora ele tenha retornado e vivido por muitos anos, o inspetor nunca mais foi o mesmo.

Segundo Lugar:

Henry Armitage
Reitor da Universidade e Homem de Letras


Conto: "O Horror de Dunwich" (The Dunwich Horror - 1928)

Encarregado da Biblioteca da Universidade Miskatonic, Armitage é considerado um dos grandes acadêmicos da Nova Inglaterra, um homem brilhante no campo das letras admirado pela sua ética e erudição.

Armitage estudou na Miskatonic University formando-se na classe de 1881. Ele obteve seu doutorado em Princeton e seu PhD na renomada Universidade de Cambridge. Desde jovem Armitage demonstrava interesse por acontecimentos incomuns e pelo estudo do mundo oculto. Sabe-se que ele estudou a queda de um misterioso meteoro nos arredores da cidade em 1882 (A Cor que Caiu do Céu) e que demonstrou interesse sobre a singular lenda da Casa da Bruxa (Sonhos na Casa da Bruxa) uma das mais antigas construções de Arkham.

Foi Armitage quem obteve a cópia do raríssimo Necronomicon, livro que ainda se encontra no acervo da biblioteca.

Após a bizarra morte de Wilbur Whateley, um habitante do isolado povoado de Dunwich, com quem Armitage vinha se correspondendo, o velho acadêmico passou a temer o conteúdo blasfemo do Necronomicon. Ele teve de recorrer às estranhas fórmulas e rituais descritos nesse tomo amaldiçoado para colocar um fim a um Horror à solta em Dunwich. Sua saúde debilitada o forçou a se aposentar em 1936.

Armitage, no entanto, continuou trabalhando catalogando o vasto acervo da biblioteca. Ele ajudou na criação da Seção de Obras Raras, que reúne a maior parte dos livros dedicados aos Mitos de Cthulhu. Foi Armitage quem escreveu regras que impedem a consulta desses tomos considerados perigosos para os olhos do público em geral.

As circunstâncias da morte de Armitage não são claras. Algumas fontes mencionam que ele teria morrido tentando salvar alguns livros durante o trágico incêndio de 1939 que destruiu parte da biblioteca. Alguns, no entanto, afirmam que Armitage ofereceu seus talentos em criptografia para ajudar a inteligência americana durante a Segunda Guerra Mundial. Na ocasião Armitage teria decifrado curiosos trechos codificados do Alto-Comando Nazista envolvendo a busca por livros raros na França ocupada. Essa fonte afirma que Armitage teria morrido no interior da Biblioteca vítima de um ataque cardíaco fulminante no ano de 1946.

Primeiro Lugar:

Randolph Carter
Aventureiro e investigador dos Mitos por excelência


Contos: em "O Testemunho de Randolph Carter", "A Chave de Prata", "Através dos Portais da Chave de Prata", "The Unnamable" e "À Procura de Kadath"

Considerado por muitos o alter-ego literário de H.P. Lovecraft, Randolph Carter é um de seus poucos personagens recorrentes em sua obra.

Carter e Lovecraft tinham muito em comum: os dois são autores de pouca fama, cujos trabalhos raramente eram lembrados, ambos são figuras melancólicas e contemplativas, habituados a sonhar acordados e bastante sensíveis. Os dois compartilham também seu amor por antiguidades, pela Nova Inglaterra e por gatos.

Em uma ocasião Lovecraft disse que não se sentia à vontade em matar Randolph Carter pois ele era um personagem muito querido. Lovecraft teria afirmado jocosamente não ter coragem para matar Carter sem temer pela sua própria vida. Para alguns biógrafos Carter simboliza como Lovecraft gostaria de ter sido.

Nascido em Boston, Carter fazia parte de uma família com uma longa e distinta história. Seu ancestral Geoffrey Carter, um cruzado, foi aprisionado por 11 anos na Montanha de Alamut onde tomou conhecimento de práticas místicas dos mouros. Seu antepassado Edmund Carter, por pouco não foi enforcado durante a Caça às Bruxas de Salem.

A partir dos dez anos de idade, Randolph Carter começou a demonstrar um talento inerente para profetizar o futuro. Na sua juventude, ele ele se tornou um dos maiores exploradores das Dreamlands. O povo dessa terra ainda se recorda de sua magnífica jornada para Kadath no vazio gélido em busca da cidade de seus sonhos. Muitos consideram essa a mais incrível façanha empreendida por um sonhador. A medida que o tempo passava, as viagens oníricas de Carter se tornavam menos frequentes até que aos 30 anos elas se encerraram. Foi nessa época que Carter começou a busca por um significado em sua existência.

Durante a Grande Guerra, Carter serviu na Legião Estrangeira da França. Foi servindo na Arábia que ele conheceu Etiènne-Laurent de Marigny, um colega sonhador que o acompanhou em explorações. Os dois investigaram o complexo de criptas sob o cemitério de Bayonne e forjaram uma longa amizade. Carter retornou a Nova Inglaterra após ser gravemente ferido em Belloy-en-Santerre.

Inquieto com o fim da guerra ele passou a estudar o mundo do ocultismo e se tornou pupilo de Harley Warren, um estudioso devotado a desvendar segredos ancestrais. Certa noite, Warren desapareceu enquanto explorava um complexo subterrâneo em um cemitério na Flórida. A polícia questionou Carter, que deu uma explicação bizarra sobre o que havia acontecido. Ele foi liberado uma vez que não haviam evidências que comprovassem crime de sua parte.

Randolph Carter era um talentoso escritor. Seu livro mais conhecido "A Guerra que se aproxima", foi publicado em 1919 e detalhava suas experiências nos tempos da guerra. O conto de terror "A Janela do Sótão" publicado em 1922 foi considerado tão aterrador que o editor da Revista Whisper decidiu recolher as edições antes delas chegarem às prateleiras. Carter ficou conhecido pelas suas estórias de fantasia que lhe renderam alguma fama, porém pouco antes de seu desaparecimento ele queimou todos os manuscritos em que vinha trabalhando por considerar seu trabalho pouco satisfatório.

Em 7 de Outubro de 1928, Randolph Carter desapareceu enquanto visitava as ruínas da ancestral casa de sua família próxima de Arkham. Grupos de busca encontravam seu carro e um lenço, mas nenhum outro traço do escritor. Alguns de seus poucos amigos afirmaram que Carter havia enfim conseguido retornar a sa amada Terra dos Sonhos. Muitos especularam que ele teria se tornado o monarca de Ilek-Vad, mas estas especulações jamais foram levadas à sério.

7 comentários:

  1. Realmente tah mto soh esse top!!


    Concordo!!!


    Abraçozs

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  2. SHOW DE BOLA ESSA LISTA ESTA INCRÍVEL...

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  3. Muito bom mesmo! Mas eu lembraria o protagonista de "The shunned house" como outro herói. Afinal, ele CONSEGUIU destruir o horror e vingou a morte de seu tio.

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  4. Em que conto aparece o monarca de Ilek-Vad.

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  5. celephais? A busca onírica pela desconhecida Kadath?

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