quinta-feira, 19 de maio de 2016

Tralhas de RPG: Minhas fichas de personagem mais antigas


Olá pessoal,


Parece que foi ontem, mas já faz muito tempo que eu comecei a jogar RPG.

Nesse período joguei e mestrei muita coisa, conheci mais jogos - sistemas e ambientações, do que eu posso lembrar e participei de mais mesas do que consigo recordar. Desde minha primeira aventura de Dungeons and Dragons Primeira Edição, por volta de 1990, seguindo pela geração xerox, pelas caixas da TSR, atravessando a febre de Vampire na metade da década de 90, minha primeira experiência com Call of Cthulhu, minha parada de 3 anos durante a faculdade, o revival com a chegada do D20 e chegando aos dias de hoje, quando o mercado brasileiro experimenta uma nova diversificação e novidades, foi um longo caminho.

Durante esse tempo, deu para juntar muitas tralhas (em parte por que eu raramente jogo minhas coisas fora. Não, antes que perguntem, não sou acumulador, apenas... saudosista. E tenho um profundo carinho pelas minhas tranqueiras).

São restos de campanhas, mapas, fichas, livros e suplementos pela metade, cadernos com aventuras antigas, material de jogo, props. MUITA COISA!

Algumas semanas atrás, terminei de trazer as últimas caixas abarrotadas de papéis que estavam na casa dos meus pais. Eram três caixas arquivo contendo boa parte das minhas tralhas de RPG mais antigas - aquelas que a minha mãe ameaçou repetidas vezes jogar fora caso eu não levasse de uma vez por todas.

Finalmente eu consegui trazer tudo e passei alguns dias organizando a papelada. Colocando em pilhas e separando, tentando lembrar o que era cada coisa e qual destino eu daria. Cada pasta aberta batia uma baita nostalgia dos tempos em que sobrava tempo para jogar RPG, de amigos que sumiram, de colegas que não vejo faz tempo e de momentos divertidos rolando dados. 

Um colega que viu parte da bagunça aqui em casa perguntou por que eu não escrevia no blog a respeito dessas tralhas, "de repente poderia dar um artigo interessante", disse ele.

Eu me animei com a ideia, mas fiquei na dúvida sobre por onde começar... comecei a separar parte da minha tralha rpgistica para escolher o que valia a pena colocar aqui no blog e no fim das contas, decidi que o melhor era separar em uma série de artigos, cada um voltado para um tema.

Nesse primeiro artigo, decidi fazer um apanhado das minhas fichas de personagens de RPG.

O engraçado é que quando comecei a escavar aqui não parava de aparecer fichas de todos os tipos, para todos os sistemas...

Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que eu ainda tinha muitas fichas antigas guardadas: muitos eu nem lembro mais, outros tenho uma vaga lembrança, mas alguns estão bem frescos na minha memória como amigos que eu não via fazia muito tempo.

Em termos de curiosidade estas duas aqui são as mais antigas que eu tenho.

Essa ficha é de D&D, em papel de impressora matricial.

A ficha não é apenas a do meu primeiro personagem de Dungeons and Dragons, ela é a PRIMEIRA ficha de um personagem de RPG que eu fiz. Tem uma data no alto onde é possível ler 1990, mas acredito que ela seja de 1989, já que nessa versão meu clérigo, Derek Van Doren, já se encontrava no quinto nível.


O estado geral é péssimo, ela sobreviveu apenas porque ficou por anos dentro de meu Dungeon Master de Ad&D.

Francamente pensei até em enquadrar a ficha dada sua importância histórica (e porque não dizer arqueológica!)


Repara na parte de baixo, a tabela do famigerado THAC0. Você não é um dinossauro do RPG se não souber o que significa THAC0.


E no verso tem o equipamento do personagem, incluindo entre outras coisas uma poção de forma gasosa (o primeiro item mágico que eu recebi, sim eu lembro, e que jamais utilizei!) e um escudo +1 que eu paguei 20 peças de ouro para colocar o símbolo do meu Deus na face (era um tempo em que você se importava com essas coisas!)

Derek Van Doren, meu clérigo lawful conseguiu chegar até o oitavo nível enfrentando muitos percalços pelo caminho, desde Zanzer Ten, passando por Cubos Gelatinosos devoradores até uma tropa de goblins armados com Rods of Cancelation (a maneira mais original que nosso DM encontrou de lidar com a grande quantidade de itens mágicos que o grupo possuía). Nunca vou esquecer disso!

E esta é bem legal, uma vez que se trata da minha primeira ficha de Call of Cthulhu que data de 1991. 

A ficha é do meu advogado londrino da Era Victoriana, Newland Archer.


Eu colei a ficha em um papel almaço (saber o que é um papel almaço e sua utilidade, creio eu, requer ter estudado nos anos 1980). 


Reparem a título de curiosidade a última anotação nos Sanity Points.

"INSANITY"

Em todos esses anos jogando Call of Cthulhu me parece uma baita ironia que apenas o meu primeiro personagem, tenha até hoje perdido TODOS os seus Pontos de Sanidade.


Mas é o tipo de coisa que acontece, sobretudo quando seu investigador se torna um servo dos Lloigor e em seguida um Cultista de Nyarlathotep.

Em sua última aventura, Archer apanhou um rifle de caçar elefante (a lendária Elephant Gun!) e saiu pelo centro de Londres atirando em inimigos que apenas ele era capaz de ver. Acho que ele tinha sido acometido por "Alucinações" depois de atingir o fundo do poço da Sanidade.

A aventura terminou com ele sendo abatido por policiais que conseguiram dominá-lo em plena Baker Street. Para não acabar em um Manicômio ele voltou o cano para a própria boca e... bem, não deve ter sido uma coisa bonita de se ver.


A essa altura já era tarde demais, ao fim de uma série de aventuras, eu já estava fisgado...

Call of Cthulhu havia se tornado meu RPG favorito.

Bem, até o próximo "Tralhas de RPG" com mais alguma coisa tirada do fundo do baú.

E como não poderia faltar, que tal uma TRIVIA no fim do artigo voltada para os dinossauros do RPG? Se você conseguir responder, as questões, você é um dinossauro:

1 - O que significa cada inicial do termo T.H.A.C.0?

2 - Quem lembra qual era o item não mágico mais caro da primeira edição do D&D pai de todos?

3 - Alguém lembra quem era Zanzer Ten e qual a sua importância no D&D antigão?

(respostas no próximo artigo dessa série)

12 comentários:

  1. eu chutaria q o mais caro era o famoso anel dos desejos...

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  2. 1 - "To Hit Armor Class 0"

    2 - Na caixa preta do D&D (lançado aqui pela Grow) era a Placa de Aço.

    3 - Zanzer Ten era o mago dono da Zanzer's Dungeon, a aventura básica da caixa preta do D&D.

    Gostei da postagem, vou desenterrar minhas planilhas velhas também pra mostrar no meu blog.

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    Cheers :)

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  4. Você podia aproveitar e disponibilizar algumas cenários (aventuras) os quais jogou durante esses anos. Certamente não foram só cenários prontos.

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  5. 1-to hit armour class 0( para acertar classe de armadura 0)
    2- nao tenho certeza, mas deve ser a armadura mais pesada.
    3- era aventura que vinha no d&d da grow(a caixa preta)

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  6. Meu amigo Luciano, época dourada do RPG no nosso grupo ( Fernando, Rafael, Sakaia, Willian, e mais alguns afortunado) Ainda tenho algumas fichas que valeria a pena colocar no blog. Respondendo as perguntas

    1-To Hit Armo Class 0
    2-Acho que é a Plate mail que só fighter usava ou a Two Handed
    3-Não era a que vinha na caixa de D&D do Elfo?

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  7. DO chutulu acho que ainda tenho do Julius Lockslay interpretado por Sean conery, esqueceu de colocar Alkadin (Que foi a melhor campanha até hoje de AD&D)

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  8. Ahhhh... Al Qadim, como esquecer? Sabe que eu ainda tenho muita coisa? Nunca tive coragem de jogar nada fora. E eu reencontrei essas coisas todas dentro de pastas e fundo de armário. Muito bom! Viagem no tempo total.

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  9. Ótimo tópico sensacional suas reliquias!
    Galera não sei se vocês podem me ajudar nasci em 1990 e um dos primeiros RPG's que joguei, vinha numa revista didática de capa azul se não me engano, era bem simples, só ensinava o básico a revista falava de outras coisa e no final vinha uma descrição do que era RPG uma aventura e com uma ficha simplona, gostaria de saber se alguem já viu eu tinha até a alguns anos atrás porem perdi muita coisa nas mudanças e eu valorizo muito ele porem me esqueci o nome se alguem tiver ou se lembrar pfvr =] desde já agradeço

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