sábado, 4 de junho de 2016

Chilodopophobia - Fatos fascinantes sobre pequenos monstros de muitas pernas


O nome é Chilodopophobia.

Um nome complicado para algo simples.

Esse é o nome que se dá ao medo irracional (ou nem tão irracional) de Centopeias. Eu parto do princípio que, se já existe um medo que se refere a insetos como um todo (entomophobia), a existência de uma fobia especifica para centopeias, demonstra o quão horríveis são esses bichos e como eles ocupam uma posição marcante na psique das pessoas.

Que me desculpem aqueles que não vêem nada de mais em centopeias. Desculpem, mais ainda aqueles que acham esse bicho saído dos pesadelos "inofensivo". Você pode passar a sua vida inteira sem ver uma centopeia cara a cara e ser absolutamente feliz, mas todos aqueles que encontraram uma centopeia tem uma estória para contar, e raramente é uma estória agradável.

De fato, segundo a Associação Americana de Psiquiatria, responsável por estudar fobias e aflições, o Medo de Centopeias está na lista dos dez medos mais recorrentes nos Estados Unidos. As pessoas tem mais medo de centopeias do que de ratos por exemplo, de morrer afogado ou de sofrer uma acidente automobilístico. A sensação de sentir o toque de uma centopeia está na lista das cinco sensações mais desagradáveis para as pessoas. E pasme, uma centopeia instalada no ouvido, está entre os medos irracionais mais profundos das pessoas, assinalado em uma lista em que "morrer queimado" e "sofrer tortura" estavam entre as opções.

É curioso, mas o medo de centopeias é algo relativamente novo. Há trinta anos ele não figurava entre os mais citados. É curioso, pois esses animais sempre estiveram entre nós e eles não mudaram muito nos últimos 430 milhões de anos. Exceto pelo tamanho, as centopeias sempre foram da maneira que são na atualidade: criaturas sinuosas, dotadas de antenas, com corpo quitinoso brilhante e segmentado, dotados de muitas, muitas, muitas patas dispostas em pares. Talvez nós tenhamos mudado, nós tenhamos nos tornado mais suscetíveis a estas criaturas. 

Há poucos animais mais estranhos e positivamente alienígenas na natureza. É provável que seja justamente a aparência bizarra dos miriápodes (a classe desses animais) que causa nosso horror, asco e repulsa. Elas não tem nada de remotamente familiar conosco. Não é por acaso que muitos autores de ficção, entre os quais se destaca William S. Burroughs, colocam as centopeias no patamar de abominações alienígenas em seus contos e novelas de horror e ficção científica. Nesse contexto, centopeias são o que existe de pior, de mais alienígena e aberrante.

Ah, mas você é daqueles que não enxergam nada de ruim nesse bicho. Valei-me Deus, você é um daqueles que até admiram a criatura. Tudo bem... mas que tal tentar mudar isso através de alguns fatos fascinantes sobre o animal? Contra fatos, dizem, não há argumento.

Lembrem-se, esse é um blog dedicado ao Horror e essa semana foi decretada a "Semana da Centopeia", já que o animal tem um potencial de horror quase inesgotável. Sendo assim, vamos tentar desenvolver um saudável sentimento de Chilodophobia com essas curiosidades:

Predadores Naturais

Todas espécies conhecidas de centopeias são predadoras. 

Animais de hábitos noturnos os miriápodes caçam e capturam criaturas menores que eles, dando preferência a vermes anelídeos, grilos, besouros, aranhas e moluscos. Contudo, isso não impede que as Centopeias procurem presas maiores e mais perigosas: cobras, sapos, ratos, escorpiões e pássaros podem fazer parte de sua dieta abrangente e estritamente carnívora. 

As centopeias utilizam suas mandíbulas (chamadas forcípulas) para trucidar suas presas. A potência da forcípula da centopeia gigante se assemelha a uma prensa hidráulica, capaz de esmagar, rasgar e despedaçar ao mesmo tempo. A centopeia procura paralisar suas vítimas com as pernas, enrolando-se ao redor da presa, ao mesmo tempo que desfere mordidas que arrancam enormes pedaços que são cuspidos. A centopeia não se alimenta imediatamente desses pedaços arrancados, ela se concentra em matar a presa através de despedaçamento ou com seu veneno e só então se preocupa em comê-la.

Habitat

Centopeias são animais terrestres que procuram lugares úmidos, mas nada impede que elas se adaptem a outros ambientes. Centopeias não são exigente, havendo umidade mínima, escuridão e alimento é o bastante para que elas se fixem. 

A má notícia é que essas condições podem incluir o interior de nossas casas. Centopeias caseiras encontram refúgio em rachaduras nas paredes, atrás de quadros, dentro de caixas de papelão, em pequenos buracos no assoalho, no ralo de pias e chuveiros, em qualquer lugar. Pior é que centopeias estão sempre em busca de esconderijos e costumam explorar o ambiente entrando em sapatos, escondendo-se em roupas, meias, roupas íntimas, chapéus, etc. Muitas pessoas que são mordidas nem percebem a presença do animal até ser tarde demais... até ele estar em contato com a pele.

Glândulas Venenosas

Algumas centopeias possuem pernas frontais adaptadas para transmitir uma toxina venenosa composta de Cianeto de Hidrogênio e Ácido Benzóico, produzidos por glândulas microscópicas. O mero contato causa um efeito de queimação e provoca uma alergia que se manifesta por uma coloração avermelhada e posteriormente descoloração na área. 

A mordida das centopeias (e das lacraias em geral) também é venenosa, mas raramente causa danos graves - exceto para aqueles especialmente alérgicos a toxina que podem sofrer um choque anafilático. Recomenda-se que crianças e idosos recebam atenção especial, sobretudo no verão, quando o veneno se torna mais concentrado. 

Mesmo não sendo mortal, a dor causada pela substância na corrente sanguínea se mostra agonizante, criando um inchaço no local da picada e muito desconforto. Febres, calafrios, tremores e suores também são frequentes naqueles que são vitimados. Em casos extremos, indivíduos picados nos dedos e em extremidades, podem sofrer danos mais sérios, podendo inclusive perder membros em face de necrose. Existe uma estória especialmente medonha que envolve um sujeito que ao urinar junto de um tronco não percebeu que ali havia um ninho de centopeias oculto na casca. Não é preciso dizer que essa estória não teve um final feliz.

Alta Velocidade

Centopeias podem ter entre 15 e 190 pares de pernas. Todos esses membros cujo tamanho varia de acordo com a espécie, permitem que esses animais se movimentem com rapidez desconcertante seja para caçar ou para escapar. A centopeia gigante se move a até 50 centímetros por segundo, enquanto a centopeia caseira pode empreender uma perseguição a uma velocidade ainda maior. Seu corpo sinuoso permite que elas façam manobras para superar obstáculos e mantenham sua estabilidade durante todo percurso. A antena permite que elas definam o relevo à frente e captem ondas de choque no chão, sabendo onde estão seus perseguidores. A má notícia é que mesmo escalando, elas mantém sua velocidade. Felizmente, nem todas centopeias correm atrás de oponentes maiores, preferindo se esconder quando acossadas.

Vida Longa       

Comparadas com outros artrópodes, centopeias tem uma vida bastante longa. Não é estranho que um espécime possa viver 2 ou 3 anos, sendo que alguns sobrevivem por até cinco anos. Há relatos de Centopeias Gigantes da Amazonia com mais de oito anos.

Uma curiosidade é que as centopeias continuam crescendo ao longo de suas vidas, mesmo depois de atingirem a idade adulta elas ainda crescem. Elas também conseguem se recuperar da perda de membros, regenerando pernas a partir de pedaços arrancados. Não é estranho encontrar espécimes mais velhos com múltiplas patas surgindo no mesmo segmento e membros mais compridos ou curtos que outros.

Reprodução

A Reprodução das Centopeias é curiosa, esquisita e (pra variar!) desagradável. O processo tem início com o macho agitando seus membros inferiores produzindo uma substância filamentosa semelhante a uma teia. Eles usam essas teias para carregar suas células reprodutivas como se fossem bolsas contendo sêmen. Esses pacotes são presos aos genitais das fêmeas, servindo como tampões e são responsáveis pela inseminação que se dá internamente. A medida que os ovos se formam, a fêmea busca um local protegido para depositá-los. Uma centopeia pode carregar centenas de ovos que deformam seu corpo longilíneo ao ponto de ficar horrivelmente inchado e deformado (o que não deve ser nada bonito de ver).

Troncos ocos, buracos ou sob pedras são os lugares preferidos para esconder os ovos, mas as fêmeas também escavam o solo. Os ovos são depositados em uma massa transparente e gosmenta, responsável por grudar os ovos semi-transparentes e impedir que eles sejam removidos por predadores. A ideia é que eles pareçam uma criatura única o que lhes concede certo grau de proteção natural.

O Ciclo dos Filhotes

As fêmeas de algumas espécies ficam juntas dos ovos até haver a eclosão. Elas envolvem seu corpo ao redor da massa de ovos assim protegendo os filhotes contra predadores. Quando as pequenas centopeias emergem, elas parecem bastante com os adultos, apenas menores, mas com corpos segmentados, antenas e pernas já desenvolvidas. Os filhotes devoram a massa e os restos dos ovos e aquelas mais desenvolvidas então comem seus irmãos mais fracos. No cruel mundo das centopeias, não há piedade ou clemência, os espécimes maiores devoram as demais e quando se sentem seguras o bastante simplesmente partem e iniciam suas vidas. Ironicamente é nesse ponto que as mães abandonam os filhotes, não por eles terem encerrado seu papel, mas porque, se ficarem, elas também podem ser devoradas pelas crias famintas.

Alimentação e Medicina Tradicional

Em alguns países do oriente, Centopeias são consumidas e consideradas como uma iguaria. Na China, é um prato tradicional e relativamente comum, vendido em feiras livres e muito apreciado. As centopeias são atravessadas em varetas de madeira ou pequenos espetos de metal e fritas ainda se debatendo em óleo fervente. 

No extremo oriente, sobretudo no Vietnã, Laos, Indonésia e Tailândia, centopeias ainda vivas são colocadas em garrafas de bebidas alcoólicas para "realçar" o sabor e potencializar seu teor etílico. Quanto maior a centopeia afogada no vasilhame, mais potente se torna a bebida, ou ao menos é o que se acredita. Não há entretanto uma correlação direta entre o teor e o animal. 

Também vem da China o uso de centopeias e especialmente da toxina produzida como matéria prima de vários remédios pertencentes a Medicina Tradicional. Centopeias são vendidas em farmácias e utilizadas para dezenas de preparos que vão desde afrodisíaco até reguladores das funções hepáticas e tranquilizantes.   

Perigos para os Ouvidos

Lembra que eu escrevi lá em cima que centopeias gostam de se esconder? Bem, isso acontece porque elas desidratam com muita facilidade e precisam escapar da luz do sol que pode ser mortal para elas. Para se refugiar da claridade centopeias são capazes de se encolher de tal forma a caber em pequenas frestas, fazendo com que seus corpos preencham o interior de espaços bastante apertados. 

E isso, obviamente é uma PÉSSIMA notícia para nós. 

Há milhares de casos anualmente de centopeias que entram nas fossas nasais, na boca (e garganta) ou no ouvido de pessoas durante o sono. O grande problema é que centopeias reagem violentamente quando se dão conta de que estão em um ambiente perigoso e começam a morder. Mordidas na boca e no nariz podem ser perigosas visto que atingem mucosas e tecidos cartilaginosos que podem sofrer dano permanente. Mas o pior ocorre quando o animal se aloja no espaço do ouvido interno. Há descrições de centopeias de até 15 centímetros no interior do ouvido de pessoas, alojadas de tal maneira que sua remoção tem que ser feita com pequenas doses de veneno para que o animal não comece a morder. Indivíduos podem perder a audição dessa maneira. Uma precaução comum em regiões onde há muitas centopeias é dormir com tampões nos ouvidos ou máscaras que bloqueiem as vias aéreas.

5 comentários:

  1. Puta texto como sempre (só achei estranho a falta de imagens King). E se preocupa não, se tem alguem q não sente nada sobre esses bichos, a história curta do tronco, ao menos para os rapazes, foi de perder sanidade permanente.

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  2. Também achei esse "causo" do tronco traumatizante.

    Mas assim, eu segurei nas imagens, justamente por que o bicho é pavoroso demais para ficar estampando a página do blog. Muita gente nem consegue encarar o bicho.

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  3. não é tão bizarro quanto algumas criaturas que vivem nas profundezas do oceano mas é realmente sinistro

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  4. Não vou comentar... insetos e monstrengos similares (vermes, répteis, etc.) eu prefiro nem ver, nem ler nada sobre! Mas sua página é ótima, parabéns. :)

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  5. Não vou comentar... insetos e monstrengos similares (vermes, répteis, etc.) eu prefiro nem ver, nem ler nada sobre! Mas sua página é ótima, parabéns. :)

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