domingo, 4 de setembro de 2016

Corrente Maldita - O Espectro do Estrangulador que matava depois de morto

 Ghosts arEstórias de fantasmas com certeza são muito assustadoras, mas bem mais assustador do que as assombrações que aterrorizam as pessoas mundo afora são os fantasmas de assassinos e maníacos. Não raramente, segundo as lendas, esses espíritos malditos continuam depois de mortos a empregar a mesma violência e brutalidade que marcou suas existências quando vivos.
Embora fantasmas de assassinos sejam os odiosos protagonistas de filmes de horror, no mundo do paranormal é muito raro que qualquer aparição seja capaz de matar. Raro sim, mas não impossível.
Alguns fantasmas parecem carregar consigo para o outro lado a mesma sede de sangue e continuam se deleitando com a dor, o sofrimento e a morte de inocentes. Eles não são apenas aterrorizantes, eles são a própria essência de tudo que é maléfico no ser humano - são os chamados Espectros. Especialistas em Parapsicologia afirmam que estes fantasmas são como um mal que sobrevive além do véu, um ódio que continua queimando mesmo após a morte. E o mais assustador a respeito de espectros é que eles ainda conseguem fazer vítimas.
Um temido espectro por muitas décadas assombrou um velho cemitério no estado de Kentucky nos Estados Unidos. Uma assombração tão famosa que o tempo não conseguiu apagar suas façanha, tornando-o famoso até os dias atuais.
Tudo começou em uma noite tranquila no Condado de Pulaski, Kentucky em 1938 quando um carpinteiro que atendia pelo nome de Carl Pruitt estava voltando para sua casa após um cansativo dia de trabalho. Pruitt estava trabalhando a semana inteira em uma casa de campo e dormindo fora. O trabalho era duro, mas renderia um bom dinheiro. Após uma semana inteira ele decidiu voltar mais cedo para casa. 
Cansado e faminto, ele esperava encontrar sua esposa preparando o jantar e dando-lhe as boas vindas. Ao se aproximar do portão, Pruitt não viu a esposa em lugar algum e foi entrando até o quarto onde teve um choque. Sua esposa estava com outro homem em seu próprio quarto, em sua própria cama! Algumas pessoas são capazes de lidar com esse tipo de traição, outras simplesmente estouram em um acesso incontrolável de raiva. Com Pruitt as coisas seguiram um rumo sangrento.
O carpinteiro era conhecido por seu gênio irascível, já havia sido preso por agressão e por bebedeira. Alguns diziam que ele havia se mudado para o Kentucky fugindo da polícia por um crime cometido no Mississipi: teria matado um homem numa briga de bar. Era um tipo quieto mas que tinha pavio curto. Ninguém sabia dos detalhes, mas todos tinham certeza de que Pruitt não era o tipo do homem que se deveria irritar. E testemunhar aquela cena o deixou muito irritado.
O casal não percebeu a presença do sujeito, Pruitt foi calmamente até o celeiro que ficava do lado de fora, apanhou uma espingarda e uma corrente e voltou ao quarto. O homem, um comerciante da cidade ouviu um barulho e começou a se vestir apressadamente, mas não teve tempo de escapar. Pruitt apareceu na porta e disparou com a espingarda à queima roupa. O sujeito voou na parede com metade do rosto arrancado pelo chumbo da espingarda calibre 12. Cérebro, fragmentos de crânio e sangue pintaram a parede.
Diante da mulher encolhida e apavorada, Pruitt ficou ainda mais furioso. Ela parece ter implorado por seu perdão pois foi encontrada de joelhos. Ele apanhou a corrente e passou ao redor do pescoço da esposa e começou a enforcá-la brutalmente até matá-la. Dizem que a força foi tamanha que os olhos da mulher saltaram para fora das órbitas. 
Os vizinhos ouviram o tiro e chamaram a polícia, mas quando estes chegaram não puderam fazer nada. Ouviram ainda um segundo disparo na casa, era Pruitt que colocara o cano da espingarda na boca e puxara o gatilho.
Antes de se suicidar ele escreveu com sangue a palavra "VADIA" na parede.



















Depois do horrível crime, as pessoas descobriram que Pruitt era bem mais perigoso do que imaginavam. Ele estava fugindo da justiça e era suspeito de vários assassinatos, aquele crime havia sido apenas o último capítulo em uma vida marcada pela extrema violência. Ele ganhou o apelido de "Assassino da Corrente" uma vez que teria estrangulado mais de uma vítima usando esse método.

A família da mulher assassinada exigiu que o casal não fosse enterrado junto, e o cadáver de Pruitt foi mandado para outro cemitério em outra cidade. Aparentemente, lá também não o aceitaram e ele foi enviado para uma terceira cidade ainda mais distante, sepultado em uma cova rasa sob uma pedra com o dizer "que Deus tenha piedade de sua alma" pintado com cal.

Esse poderia ter sido o fim da estória, mas acabou sendo apenas o início...

Nas semanas depois do apressado enterro de Pruitt, visitantes e zeladores do Cemitério perceberam que o gramado próximo a cova havia amarelado e que as palavras escritas na pedra simplesmente se apagaram. Para alguns a pedra apresentava marcas semelhantes a elos de corrente que pareciam estranhamente queimadas ali. A "corrente" despertava a imaginação das pessoas, sobretudo porque todos sabiam como Pruitt havia matado a esposa e de sua suposta habilidade com correntes.

Rumores a respeito da estranha pedra com marcas peculiares viajaram pela região levando curiosos a visitar o lugar assombrado. Logo havia boatos sobre o avistamento do fantasma do carpinteiro, de sons guturais e o ruído perturbador de correntes sendo agitadas. É claro, nem todas as pessoas atraídas pelas estórias eram meramente curiosos, alguns baderneiros também visitavam aquela parte do cemitério para testemunhar o fenômeno. Uma dessas pessoas era um rapaz chamado James Collins, que gostava de visitar a sepultura de Pruitt e conversar com uma "presença" que ele dizia sentir nos arredores. Certa noite, para impressionar seus amigos Collins virou a pedra em desafio ao fantasma.

Mais tarde, quando retornava para casa, o rapaz sofreu um estranho acidente de bicicleta. Bizarramente, a corrente da roda se soltou e prendeu ao redor de seu pescoço, o estrangulando até a morte - ou assim disseram. O corpo de Collins foi achado caído ao lado da estrada com uma expressão de horror e um grito congelado.


A estória logo se espalhou com sussurros a respeito de fantasmas vingativos, maldições e o espírito vingativo de Pruitt como responsável pela estranha morte do rapaz. A mãe de James ficou tão triste e furiosa com a morte do filho que segundo algumas pessoas visitou o cemitério com o objetivo de destruir a sepultura de Pruitt. 

De acordo com a lenda, dias mais tarde ela foi encontrada morta, enforcada com uma corda de varal ao redor do pescoço. Alguns sugeriram que a palavra "vadia" havia sido escrita na parede do aposento onde o cadáver pendia com meia língua para fora, girando no ar com uma expressão apoplética. Ninguém confirmou isso, mas a polícia demorou semanas para reconhecer a morte como suicídio. Para o xerife, o lugar parecia mais uma cena de crime do que de morte auto-infligida. Vários objetos quebrados, roupas rasgadas e unhas quebradas da vítima lançavam uma estranha aura de incerteza sobre a natureza daquela morte.

Mais estranho ainda, a pedra que cobria a sepultura, estava em perfeito estado a despeito dela ter sido lascada por um golpe da mãe de James usando um machado. Como a pedra havia se reconstruído ninguém sabia explicar.

As estranhas mortes associadas a Pruitt e a suposta maldição que seu cadáver havia lançado no cemitério não parariam por aí. Não muito tempo depois da morte da mãe de Collins, um fazendeiro estava passando pelo lugar conduzindo a carroça da família. Quando ele passou diante da cova de Carl Pruitt, os cavalos dispararam em uma corrida desesperada. O fazendeiro tentou saltar, mas acabou ficando preso nos arreios e acabou (adivinha só?) enforcado. Depois do ocorrido, algumas pessoas se recordaram que o fazendeiro dias antes em um bar havia dito que as estórias sobre o fantasma não passavam de bobagem e que Pruitt estava pagando pelos seus pecados no Inferno. "Nada disso existe!" alguns lembraram que ele comentou rindo.


A morte do fazendeiro renovou os rumores e falatório sobre a "sepultura maldita" de Carl Pruitt, e dali em diante a maioria das pessoas preferia não passar pelo lugar temendo o pior. Dois policiais, talvez ridicularizando as crenças locais, foram até a sepultura certo dia para investigar. Enquanto estavam lá, aparentemente aproveitaram para tirar fotografias na frente da cova e da pedra. Quando se deram por satisfeitos os dois voltaram para o carro ainda se divertindo com a brincadeira. Nisso perceberam que uma "bola de luz" se ergueu do chão e começou a seguir a viatura. Os policiais fugiram em disparada e em determinado momento da perseguição perderam a direção e se chocaram com uma árvore. Segundo os rumores, um dos policiais sofreu ferimentos menores, mas o outro não teve tanta sorte. A colisão fez com que ele fosse atirado para fora sofrendo cortes profundos no vidro do painel que causaram sua morte. 

O sobrevivente era quem estava tirando as fotografias naquele dia e quando elas foram reveladas as pessoas juravam que era possível ver uma marca de corrente ao redor da cabeça do policial morto. Um defeito na revelação ou na própria câmera disseram os céticos, outros não tinham tanta certeza. 

A morte do policial realmente cimentou a ideia de que o lugar era amaldiçoado e que Pruitt era capaz de matar do além como um espectro vingativo. Nos anos 1950, um homem chamado Arthur Lewis, um especialista em expor o sobrenatural ouviu a estória e se voluntariou para provar que nada daquilo era real. Ele passaria uma noite no cemitério ao lado da sepultura para provar seu ponto. Na manhã seguinte, quando ele não apareceu as pessoas ficaram preocupadas. Um grupo foi até o cemitério e não achou sinal de Lewis na barraca que ele havia montado ao lado da sepultura. Haviam livros, objetos pessoais e uma lanterna ainda acesa largados na área.

Uma busca foi rapidamente organizada, mas não precisaram procurar muito. Encontraram Lewis em um mausoléu tremendo e incapaz de dizer qualquer coisa que fizesse sentido. Ele estava com uma expressão de horror e não quis falar sobre o que havia visto naquela madrugada. Anos mais tarde, circulava o boato de que Arthur Lewis revelou sua estória para amigos, afirmando que havia presenciado a aparição de Carl Pruitt na forma de um espectro armado com uma corrente na mãos. Aterrorizado com a visão do fantasma que se aproximava da barraca, Lewis simplesmente correu em disparada sem olhar o que o seguia.

Lewis morreu em 1975 afirmando que jamais escreveria a respeito do que encontrou naquela noite e que aquele lugar era o único realmente assombrado em que ele esteve durante sua carreira como investigador do oculto.


Nos anos 1960, uma companhia de mineração adquiriu a área onde ficava o cemitério que a essa altura havia sido praticamente abandonado. A essa altura, muitas pessoas que tinham entes queridos ali enterrados decidiram exumar seus parentes e transferir os restos para lugares mais tranquilos e com uma aura menos sinistra. Nenhum enterro havia acontecido no Cemitério desde 1946, o que pesou para que fosse dada a concessão para a compra da área para desmanche e mineração do subsolo.

A companhia tinha a obrigação de remover todas as ossadas e transferi-las para outro cemitério a ser construído. As sepulturas e lápides também foram escavadas para o translado. Não se sabe o que aconteceu com a pedra que ficava sobre a cova que marcava o local de descanso dos ossos de Carl Pruitt. Algumas versões dão conta de que ela foi destruída durante o transporte ou que ela foi convenientemente jogada em algum terreno baldio e esquecida. Outras estórias mais fantásticas afirmam que três padres foram chamados para abençoar a remoção dos ossos de Pruitt afim de garantir que o espectro fosse exorcizado de uma vez por todas. O dono da mineradora, um homem muito religioso, disse que "não queria correr nenhum risco".

Um rumor recorrente sobre o alegado ritual de purificação do solo afirmou que aquando os restos do caixão de Carl Pruitt foram içados do chão, encontraram em seu interior uma quantidade absurda de vermes inchados. Um dos religiosos teria desmaiado ao se deparar com a visão e outro reportou que o som de correntes pôde ser ouvido, bem como um vento frio soprando de lugar nenhum. Depois do ritual, os ossos teriam sido colocados em uma caixa de ferro (um costume famoso ao se lidar com bruxos) e levado para seu endereço novo e ignorado. Antes, no entanto, lavaram os restos com água benta e os abençoaram. Alguns supõem que isso tenha enfim dado um fim à maldição e façanhas do espectro.


O que parece certo é que as misteriosas mortes se encerraram depois que o cemitério foi removido para outro lugar. Os moradores dos arredores puderam respirar aliviados. Alguns afirmam que a área ocupada pela mineradora ainda apresentava estranhos acontecimentos: acidentes inexplicáveis, mas os céticos afirmam que mineração é uma atividade propensa a acidentes e nem tudo tem conexão com o sobrenatural.

Há algo nessa estória que possa ser levado à sério, ou é apenas uma estória de Halloween costurada com coincidências e mortes estranhas? Seria apenas uma sinistra lenda urbana ou incidentes genuinamente fantasmagóricos estariam em ação? Teriam as pessoas que morreram, alegadamente vítimas de Pruitt atacando do além, terem perecido em face dos atos e ações de um espectro vingativo? 

Para quem acredita, o local onde um dia Pruitt ficou enterrado ainda é um lugar sinistro e apavorante. Programas de alegados caçadores de fantasma registraram estranhos acontecimentos ao gravar ali - sombras, áreas frias e até mesmo sons foram registrados. Será que o Assassino da Corrente ainda voltará a atacar?

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