quarta-feira, 26 de março de 2014

As sete edições de Call of Cthulhu


Call of Cthulhu foi lançado originalmente em 1981 - dizem as lendas em uma sexta feira treze, desde então este que é considerado o primeiro e para muitos o melhor RPG de Horror conheceu outras cinco edições. A sétima está sendo preparada. Ao mesmo tempo, a sexta está chegando ao Brasil através de Financiamento Coletivo.

Enquanto esses livros não chegam às nossas mãos, que tal fazer uma viagem através das capas dos Livros Básicos de Call of Cthulhu?

O conceito original que serviu de modelo para Call of Cthulhu se chamava Dark Worlds, um jogo criado pela Chaosium que jamais foi publicado. O designer de jogos Sandy Petersen, conhecido pelo seu trabalho no game Doom, entrou em contato com a Chaosium apresentando um suplemento para o popular jogo de fantasia RuneQuest se passando no Mundo dos Sonhos concebido por H.P. Lovecraft. A partir desse conceito ele resolveu escrever uma ambientação que transportava a ação do jogo para o mundo real, usando elementos do Universo dos Mythos de Cthulhu.




Com base no esboço inicial, a Chaosium pediu a Petersen que expandisse o jogo e escrevesse a ambientação. A primeira edição de Call of Cthulhu foi lançada em 1981, utilizando uma versão simplificada do Basic Roleplaying (BRP), sistema que já era usado no RuneQuest.

A primeira edição foi lançada o formato de Boxed Set (Caixa) e continha dois livros de jogo, um mapa, fichas para os personagens e dados. Essa edição ganhou o prêmio Origins em 1982 como melhor RPG. É ela que está no alto do artigo. 

Em 1983, foi lançada a Segunda Edição, com algumas alterações mais estéticas do que conceituais. O jogo continuou muito parecido, mas o material foi reunido em um único volume que passou a ser o Livro Básico de Call of Cthulhu



O sucesso do jogo motivou o lançamento das primeiras campanhas e suplementos de jogo: Shadows of Yog-Sothoth (1982), Fungi from Yuggoth (1984) e Masks of Nyarlathotep (1984).

A Terceira Edição foi lançada em 1986. Novamente foram poucas as mudanças, a não ser a inclusão de arte e tabelas descritivas mais caprichadas. A capa também sofreu a sua primeira mudança.


Lynn Willis assumiu o posto de Sandy Petersen como editor nessa edição, mas só na quinta edição ele passaria a ser creditado como co-autor.

Para essa edição, vários suplementos foram lançados: Spawn of Azathoth (1986), Dreamlands (1987), Terror Australis (1988), a segunda edição de Cthulhu by Gaslight (1988) e Cthulhu Now (1988), estes dois últimos transportavam o jogo para outras eras, no caso o período Victoriano (1890) e os dias atuais (no caso 1990).

A Quarta Edição saiu três anos depois em 1989 (e foi através dessa que conheci o jogo!).

Até então, foi essa edição que operou a maioria das alterações e mudanças, poucas é verdade no que diz respeito a regras. Mesmo assim ela foi considerada a melhor até então. 



Junto com a Quarta edição foram lançadas vários suplementos entre os quais um dos mais emblemáticos, a notável campanha Horror on the Orient Express (1990). Orient Express tinha um acabamento muito diferente, material de luxo que marcou época e que custava incríveis US 39,95, o que na época o tornava um dos livros de RPG mais caros.

Em 1990 também foram lançados os livros da série Lovecraftian Country, esses suplementos em geral produzidos por Keith Herber forneciam o background e cenários se passando nas cidades fictícias Arkham, Kingsport, Innsmouth, Dunwich e arredores. O objetivo era conceder aos investigadores um lugar para centrar as suas ações e motivações.

A Quinta Edição foi lançada em 1992. Essa é a edição que eu mais gosto, na minha opinião um excelente livro Para muitos ele marcou a continuidade da época de ouro de Call of Cthulhu, com vários suplementos e aventuras muito interessantes além, é claro, de muitos títulos dentro da coleção "Secrets of...".



Essa foi uma edição bastante duradoura, com seis anos. Houve uma edição corretiva, chamada de 5,5 (1998) e outra 5.6 (2000) ambas com o acréscimo de detalhes e de informações colhidas nos vários suplementos lançados no período.

Em 1998, o grande lançamento foi a mega-campanha Beyond the Mountains of Madness (1998) uma das maiores campanhas de RPG jamais lançadas com mais de 500 páginas.

Em 2001 a Chaosium lançou duas edições especiais, com capa dura em acabamento imitação de couro e Elder Sign em acabamento dourado. Essas duas edições eram comemorativas e ficaram conhecidas como Edição de Aniversário de 20 anos e a Edição Universidade Miskatonic. As duas tinham o mesmo interior em preto e branco e textos da 5.6.


Esses dois livros tiveram edições limitadas vendidas na época por 100 dólares e hoje são bastante raros.

A Sexta Edição foi publicada originalmente em 2004 e foi a edição que mais tempo ficou à venda, considerada por muita gente como  a Edição Definitiva de Call of Cthulhu. Mais completa, com uma boa quantidade de adendos e informações retiradas de vários suplementos. É nesse Livro que será baseada a Edição brasileira o que me parece uma boa escolha, já que se trata da Edição mais completa.


O livro mudou muito pouco nesse período, as regras do sistema BRP atravessaram os anos com um vigor invejável, dando ao sistema um status de cult que conquistou gerações de jogadores.

A Edição Comemorativa de 25 e 30 anos foi bem parecida, lançadas respectivamente em 2006 e 2011. Novamente com acabamento de imitação de couro marrom, páginas costuradas, detalhes dourados e capa dura essa é uma das edições mais legais lançadas até hoje.


O que nos leva a Sétima Edição.

O próximo lançamento ainda é um mistério, já que ela sinaliza com as primeiras alterações profundas no sistema BRP. Os dois autores pretendem realizar uma "modernização" nas regras, atualizando o jogo para os novos tempos, sem no entanto, abandonar o sistema clássico.

O sucesso do Financiamento Coletivo da sétima edição, sinaliza com um livro de visual impressionante. Dividido em dois volumes, um para o Guardião e outro para o Jogador, totalmente coloridos, com nova arte, capa dura e todos os elementos presentes nos livros básicos atuais (e nas publicações européias).  

Muita coisa aparentemente vai mudar nessa edição, mas se as regras vão ser melhores ou não, isso a gente só vai poder dizer quando a Chaosium começar a enviar os livros para os 3.668 patrocinadores que investiram no Kickstart.

E recentemente a capa da sétima edição foi apresentada:

Vamos ver o que nos reservam os próximos anos...

Longa vida ao Call of Cthulhu.

4 comentários:

  1. legal....eu iniciei em 95...com a 5a ediçao

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  2. Caraca, que nostálgico, também iniciei no início de anos 90 com a 5ª edição que tenho até hoje e estou aguardando ansiosamente meus livros do financiamento coletivo da versão brasileiro, não vejo a hora de tê-lo em mãos!!!

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  3. Muito bom o post, como sempre, nós do rpgmacaiba.blogspot.com temos uma homenagem para os leitores do Mundotentacular, e ao King In Yellow. O Escudo do Guardião em Português! espero que gostem!

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  4. A 5ª edição é a minha favorita tbm. O meu exemplar está só o farelo...

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