terça-feira, 18 de julho de 2017

Detetive em Chamado de Cthulhu - Os personagens mais suspeitos para seu jogo


"Coronel Mostarda, no Salão de Jogos com o candelabro"!

Eu sempre adorei Detetive.

O jogo de tabuleiro, originalmente chamado de Clue ("Pista" na tradução literal), é um dos mais populares mundo afora, contando com inúmeras versões nas quais os personagens tentam descobrir qual dentre eles é o assassino responsável por matar "Mr. Body" (Sr. Corpo), qual a arma empregada no crime e em que local o crime ocorreu.

Para quem não conhece, o jogo se desenrola em um tabuleiro que simula uma mansão cheia de aposentos nos quais pistas ficam esperando pelos detetives. A medida que cada aposento é visitado, os jogadores eliminam um suspeito de sua lista, ou uma arma ou um aposento. No final, visitando aposentos suficientes, os jogadores conseguem descobrir a verdade.

Clue é bem antigo, a primeira versão, com o nome Murder! é de 1944. Desde então houve várias versões e quando eu era moleque, o jogo já era meio que uma febre. Eu adorava quando visitava meus primos e jogávamos.


Hoje em dia, existem várias versões do jogo, com personagens de Star Wars, Senhor dos Anéis, Game of Thrones e Simpsons (para citar apenas alguns) tentando desvendar a célebre questão: "Who dunnit?" (Quem foi?). Na minha opinião, a melhor versão e a que me traz mais saudade é essa das fotos, lançada aqui no Brasil em meado da década de 1970 e vendida com essa roupagem até os anos 1980.

Essa caixa, é a que vem na minha cabeça sempre que alguém fala em Detetive.

Os personagens eram incrivelmente suspeitos, a expressão deles remete exatamente à questão: "Qual deles poderia ter assassinado o dono da mansão"?

Francamente, todos parecem perfeitamente capazes de usar uma faca, uma corda ou uma pistola na Sala de Músicas ou na Cozinha para eliminar sua vítima. Quer dizer, olha a expressão do Senhor Marinho, a cara de pau do Professor Black, o olhar de lado que trai a Dona Branca ou a dissimulação escancarada na face da Senhorita Rosa.


Uma das coisas mais bacanas nessa versão era tornar os personagens usados pelos jogadores suspeitos de um crime violento (ninguém usa um cano ou candelabro na cabeça de uma vítima com delicadeza). Quando eu era criança, sempre imaginava o criminoso usando uma daquelas armas mortais e considerava Detetive um jogo com um componente extra de realidade. De certa forma, era um jogo bem adulto, embora disputado por detetives pré-adolescentes.

Esses tempos pensei em adaptar os suspeitos de Detetive para o Universo de Chamado de Cthulhu e usá-los como Personagens dos Jogadores. Depois eu conto como foi o jogo. Antes, vou falar das fichas com estatísticas dos personagens e do background que se ajusta no cenário pretendido.

Esse é o resultado, espero que gostem.

*       *       *

CORONEL MOSTARDA

Nome: Coronel Albert Mustaigne (Mustard)
Ocupação: Oficial Militar/ Exército Britânico, posto de Coronel
Idade: 62 anos
Formação Acadêmica: Academia Militar de Sandhurst
Residência: Jodhpur, atualmente Nova York
Local de Nascimento: Suffolk, Grã-Bretanha


BIOGRAFIA: Abrasivo, mau humorado e azedo, o Coronel Albert Mustaigne (apelidado pelos seus companheiros de Mostarda) é um Oficial do Exército Britânico que serviu na Colônia Britânica da India, boa parte de sua vida. Ele esteve em Jodhpur, uma cidade do Rajastão e foi conselheiro militar do governante o Rajá Ganganaghar. Apesar de integrar uma função adjunta do corpo diplomático, o Coronel sempre se considerou um homem de ação e de poucas palavras. Ele jamais teve paciência para amabilidades ou protocolos, sendo curto e grosso na maioria de suas interações sociais. Em mais de uma ocasião sua falta de tato resultou em discussões acaloradas, colecionando desafetos e (dizem) até inimigos jurados. Recentemente viúvo, o Coronel foi reformado do Serviço Militar ativo - dizem por ter passado da conta em suas opiniões a respeito da delicada Questão Colonial. Nas palavras do Coronel; o Império Britânico deve continuar a ser uma "força civilizatória para os povos menos favorecidos do mundo". Disposto a viajar, ele se estabeleceu temporariamente na América para conhecer essa parte do mundo. Por enquanto, ele tem achado a América, um lugar pitoresco. O pavio curto do Coronel e o fato dele sempre andar com seu Revólver o tornam uma figura volátil.

Frase de Efeito: "Isso me lembra uma ocasião nas ruas de Bilahra, eu fiquei sozinho contra cinco bandidos armados com punhais! Felizmente tinha à mão meu fiel revólver de serviço! Vou lhes dizer, fiz aqueles selvagens pagãos correrem como nunca"  

ANTECEDENTES

Descrição Pessoal: Austero é a palavra que vem à mente. Extremamente distinto tanto no comportamento quanto nos trajes sóbrios escolhidos para cada ocasião. Um homem que não se furta de externar sua opinião, doa a quem doer. Seus cabelos grisalhos, o espesso bigode e as fartas suíças que emolduram sua face são como uma marca de distinção. O Coronel recentemente adotou o uso de um monóculo que lhe confere uma aparência aristocrática.

Ideologia/ Crença: O Imperialismo (de preferência o Britânico) é a cura para a barbárie dos povos. Somente povos mais civilizados podem proteger os demais de seus vícios.

Pessoas Significativas: Beatrice (Bea) Mustaigne sua amada esposa e fiel companheira, falecida há três anos.

Lugares Relevantes: Clube de Cavalheiros em Brunswick onde ele costuma jogar bridge com seus colegas.

Possessões Valiosas: Sua coleção de medalhas e regalias militares obtidas em sua função em Jodhpur.

Coronel Mostarda para Call of Cthulhu BRP

ATRIBUTOS

FOR: 60     DES: 70     INT: 55      IDEIA: 55%
CON: 70    APA: 45      POD: 65  
TAM: 70                       EDU: 70    SABER: 70%

Bônus de Dano: +1d4
Sanidade: 65%
HP: 14

HABILIDADES: Contabilidade 30%, Arqueologia 10%, Arte/Ofício (Artesanato Indiano) 30%, Avaliação 30%, Crédito Social 60%, Esquivar 25%, Lutar (Briga) 48%, Arma de Fogo (Pistola) 66%, Arma de Fogo (Rifle/Espingarda) 60%, Primeiros Socorros 36%, História 59%, Intimidação 47%, Direito 31%, Pesquisar Biblioteca 30%, Mundo Natural 25%, Navegação 43%, Ocultismo 15%, Persuadir 60%, Cavalgar 37%, Localizar 30%, Arremessar 29%, Rastrear 33%, Discurso Imperialista 80%, Apreciar Condimentos Fortes 84%, Limpar Armas de Fogo 63%

Idioma Nativo: Inglês 75%
Idiomas: Hindu 43%, Alemão 15%,

ATAQUES:

Combate Desarmado 48%, dano 1d3 +db
Revólver Calibre 38, 66%, dano 1d10 (Webly Mark-2)
Rifle de Cano Duplo (Elephant Gun) 61%, dano 4d6

DONA VIOLETA

Nome: Sra. Violet Peacock (Dona Violeta)
Ocupação: Crítica de Teatro e Colunista da Seção de Arte e Entretenimento do Times.
Idade: 64 anos
Formação Acadêmica: História da Arte (Universidade de Darthmouth)
Residência: New York City, NY
Local de Nascimento: Hannover, New Hampshire


BIOGRAFIA: Igualmente respeitada e odiada por toda comunidade teatral de Nova York, Violet Peacock, ou Senhora Violeta, como se tornou conhecida após usar o pseudônimo para assinar sua coluna, é a mais implacável crítica de arte da cidade. Dona de um gênio irascível, ela se diverte destilando em palavras as críticas mais mordazes e as ferroadas mais dolorosas. É sabido que mais de uma montagem foi cancelada após a publicação de uma das suas críticas ferinas. Diretores a abominam e artistas a bajulam frequentemente, mas Dona Violeta se mantém sempre neutra, envergando um perene ar blasé diante de tudo e todos. Em seu íntimo é uma mulher extremamente amarga cujo prazer pessoal se limita a cultivar a importância que recebe do meio cultural. Dizem que ela já esteve apaixonada, quando mais jovem, mas os rumores dão conta que sua paixão terminou tragicamente, na ponta do nó de uma corda. Suicídio, dizem... Dona Violeta declina em comentar.


Frase de Efeito: "Minha querida, as coisas podem ser feitas à sua maneira ou podem ser feitas da maneira correta! Vamos dar preferência às coisas corretas, faça de novo!"

ANTECEDENTES

Descrição Pessoal: Uma senhora que já passou da meia idade e mantém uma rígida postura conservadora. Sua estatura é baixa e seu porte esguio, ainda assim, de alguma forma, repleta de energia. Sua voz é baixa e calculada, bem como todos os seus movimentos. Dona Violeta raramente sorri, mas quando o faz seus lábios se arqueiam levemente com o peso da ironia e condescendência. Ela usa uma bengala de nogueira e veste um chapéu que lhe confere um ar antiquado. O conjunto se completa com um pince-nez que realça seus olhos de rapina, pequenos e atentos.   

Ideologia/ Crenças: Perfeccionista e metódica em um grau que beira a obsessão.

Pessoas Significativas: Grace Stilson, uma atriz de teatro que é sua protegé no mundo das artes.

Lugares Relevantes: O New Amsterdam Theatre, onde você possui uma cadeira cativa.

Possessões Valiosas: Uma bengala de nogueira com adornos de marfim que você usa como ponto de apoio e para afastar os indesejados.

Sra. Violet Peacock para Call of Cthulhu BRP

ATRIBUTOS

FOR: 40     DES: 45     INT: 80  
CON: 50    APA: 50      POD: 70
TAM: 45                       EDU: 90
Bônus de Dano: +1d4
Sanidade: 70%
HP: 10

HABILIDADES: Contabilidade 31%, Antropologia 25%, Arte/Ofício (História da Arte) 71%, (Literatura) 70% (Teatro) 81%, Crédito Social 51%, História 39%, Intimidação 30%, Pesquisar Biblioteca 36%, Persuadir 43%, Psicologia 47%, Localizar 68%, Escrever Artigos Provocativos 88%, Provocar 71%, Condescendência 87% 

Idioma Nativo: Inglês 90%
Idiomas: Francês 38%, Italiano 25%, Latim 30%

ATAQUES:

Combate Desarmado 25%, dano 1d3 +db

SR. MARINHO

Nome: Marinus Green (Mr. Green)
Ocupação: Empresário/ Criminoso
Idade: 53 anos
Formação Acadêmica: Nenhuma
Residência: Nova York (Yonkers)
Local de Nascimento: Napoles, Itália


BIOGRAFIA: A figura do imigrante que construiu um vasto patrimônio na América é bem exemplificado pelo Sr. Green. Nascido em Nápoles, Mario Verdi, adotou o pomposo nome Marinus Green quando chegou a Nova York. Seus primeiros anos foram duros, mas logo ele compreendeu que para vencer na vida teria de agir à margem da sociedade. Green começou como guarda costas de chefões italianos, mas progrediu de maneira meteórica assumindo o lugar de seus chefes através de intimidação e violência. Mais de uma vez ele usou um cano para arrebentar a cabeça de seus rivais. Mas isso é passado, o Sr. Marinho, como é conhecido no submundo está tentando legalizar seus negócios e se tornar um empresário legítimo como forma de cumprir uma promessa feita à sua esposa. Não tem sido nada fácil, sobretudo com a tentação imposta pelo dinheiro fácil do contrabando de bebida fluindo para seu bolso. Quem sabe daqui a alguns anos seus negócios estejam legalizados.

Frase de Efeito: "Vou fazer uma contra-proposta e se você tiver juízo, vai aceitar"

ANTECEDENTES

Descrição Pessoal: Geralmente Green é o homem mais intimidador num ambiente. Embora não seja grande ou musculoso, ele é corpulento e tem um porte maciço. Suas mãos são enormes, habituadas a se fechar em punhos dispostos a esmagar. Seu humor é mercurial, indo do jovial a um súbito ataque de cólera que pode desencadear reações letais em poucos instantes. Sua voz de barítono dá o tom em xingamentos impublicáveis tanto em italiano quanto em inglês. Ele costuma adotar ternos azulados risca de giz e polainas, recentemente Marinho quebrou o nariz de um capanga que riu de sua opção por uma flor amarela na lapela. Desde então, ninguém mais esboçou opinião a respeito de suas escolhas florais.    

Ideologia/ Crenças: "Dinheiro é poder e eu vou conseguir muito dos dois"

Pessoas Significativas: Vito Green, seu filho mais novo que nasceu surdo. Marinho ama o garoto e desistiria de tudo que conquistou para protegê-lo.

Lugares Relevantes: Bar di Napoli, um Speak Easy e Casa de Shows que ele comprou em Little Italy e que funciona como fachada para a distribuição de bebida.

Possessões Valiosas: Moeda da Sorte, um dólar de prata que ele ganhou quando chegou a Nova York e que representa o início da construção do seu Império.

Senhor Marinho para Call of Cthulhu BRP

ATRIBUTOS

FOR: 70     DES: 50     INT: 60     IDEIA: 60%
CON: 80    APA: 40      POD: 70
TAM: 65                       EDU: 50    SABER: 50%

Bônus de Dano: +1d4
Sanidade: 60%
HP: 14

HABILIDADES: Contabilidade 60%, Avaliar 47%, Arrombamento 21%, Arte (Cozinhar) 25%, (Botânica) 30%, Crédito 80%, Dirigir (Carro) 37%, Lutar (Briga) 51%, Arma de Fogo (Pistola) 43%, Intimidação 59%, Direito 14%,  Reparos Mecânicos 21%, Persuadir 60%, Localizar 30%, Arremessar 29%, "Cozinhar Livro Caixa" 51%, Negociar com o Submundo 70%, Contrabando 71%

Idioma Nativo: Italiano 50%
Idiomas: Inglês 40%

ATAQUES:

Combate Desarmado 51%, dano 1d3 +db
Cano de Ferro, 51%, dano 1d4 +1 + db

*      *      * 

Por enquanto é isso...

Fiquem conosco para as fichas da Senhorita Rosa, Dona Branca e Professor Black.

Agradecimento especial ao amigo Flavio Lúcio Abal que emprestou sua caixa de Detetive para essas fotos.

2 comentários:

  1. Esse artigo faz lembrar aqueles com as fichas da Turma do Scooby-Doo . Espero que possa mais uma vez unir desenho animado com RPG , adoro essa mistura .

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  2. Excelente, meu caro.
    Muito bom mesmo.

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